O Refúgio dos Capelinhos é o mais recente espaço de turismo em espaço rural, na categoria Alojamento Rural do Faial. Propriedade de Márcio de Andrade e Tânia Ferreira de
Andrade, o espaço localizado no Norte Pequeno foi inaugurado no passado dia 2 de agosto e logo no dia seguinte recebeu os seus primeiros hóspedes.
Márcio de Andrade e Tânia Ferreira de Andrade, ambos com 44 anos nasceram e viveram no Faial até 1999. Márcio é Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária e Saúde Pública e Tânia é professora de Educação Visual e Tecnológica/1.º ciclo.
Quando concluíram o ensino secundário, como é comum nos jovens açorianos deixaram a ilha para prosseguir estudos na capital.
O ingresso na vida profissional na cidade de Lisboa, fez com que aí se fixassem no ano de 2003. Ao longo dos anos mantiveram sempre o contacto com a ilha, onde normalmente passavam as suas férias.
Apesar da distância, Márcio e Tânia faziam questão, ainda que à distância, acompanhar a vida e os acontecimentos locais. “A ilha não saiu de nós”, contam ao Tribuna das Ilhas os proprietários do Refúgio do Capelinhos.
“Viver na capital permitiu criar e sedimentar os nossos objetivos académicos, profissionais e familiares. Conhecemos outras partes do mundo, fizemos formação diversificada, muitas vezes até fora do âmbito profissional e assim fomos desenvolvendo um gosto pessoal por algumas áreas da cultura de vários povos, nomeadamente no que respeita à gastronomia, vinhos e outras tradições”, contam.
Com o passar dos anos, tornou-se cada vez mais difícil deixar o Faial após o período de férias, ao ponto de decidirem que era aqui que queriam viver. “Entendemos mudar de vida e criar um projeto familiar com base nas nossas vivencias”, observam.
O Refúgio dos Capelinhos um projeto com 6 anos
“Por caricato que pareça, num dia de inverno ao ir a o Norte Pequeno comprar laranjas, fomos desafiados por uns amigos de longa data a adquirir a casa de pedra que encontramos nessa visita, no sentido de criar um espaço de turismo com vinhos”, revelaram Márcio e Tânia relativamente ao surgimento deste projeto nas suas vidas.
A ideia começou em 2018 e foi sendo sedimentada até agora com a conclusão deste projeto.
Os Capelinhos e o Porto do Comprido sempre foram o seu “local de eleição para banhos em tempo de férias”, por isso quando começaram a idealizar o espaço, pensaram de imediato que este seria o seu “refúgio”, tendo em conta a sua intenção de regressar ao Faial, também pelas “caraterísticas da “casa mãe” e pelo seu aconchego.
Desta pretensão surgiu o Refúgio dos Capelinhos, nome que escolheram para este seu espaço.
Este alojamento que foi inaugurado ao final do dia da passada quinta-feira dia 1 de agosto, é constituído por um chalé, uma casa de pedra denominada a “Casa do Forno” com lotação para seis pessoas e quatro suites com capacidade para 12 pessoas.
O empreendimento é constituído por uma casa de pedra, uma adega, uma vinha, dois fornos a lenha e diversos elementos construídos com pedra vulcânica, desde os muros, divisórias, chuveiro exterior, etc. que segundo os proprietários pretende “formular um conceito genuíno e diferenciador junto da população turística”.
Para os empresários, estas “características singulares, permitem proporcionar aos clientes, não apenas uma dormida, mas uma experiência sobre a tradição, gastronomia e costumes desta ilha”.
A diferenciação do Refúgio do Capelinhos, para além dos fatores já referenciados, “passa por um serviço de pequeno-almoço incluído na diária com produtos regionais e locais”.
Neste empreendimento, os clientes “podem também jantar e experienciar a cozinha regional através de pratos confecionados no fogo (forno ou tacho), beber um vinho da região, provar umas lapas grelhadas ou ao natural, isto enquanto assistem ao pôr do sol”, salientam.
Outro elemento diferenciador é no entender dos proprietários a existência de dois espaços; “uma horta onde são produzidos de forma biológica, legumes, hortaliças e alguns frutos que sazonalmente são utilizados na confeção dos pratos que referimos, ou seja, saudável e sustentável”, e uma vinha.
A ideia é que no futuro os clientes possam participar por exemplo, numa vindima ou até mesmo beber um vinho produzido na propriedade. O seu objetivo é proporcionar aos hóspedes “experiências diferenciadas e únicas”, isto no que se refere à época alta.
Já para a época baixa, os empresários pretendem dinamizar o espaço com a realização de diversos workshops, eventos familiares e reuniões de trabalho.
O Refúgio dos Capelinhos durante a época baixa estará aberto, mediante reserva prévia, para servir refeições e eventos com base naquilo que já referimos – a cozinha feita no fogo”.
“Acreditamos que as nossas instalações e os serviços que pretendemos prestar são francamente diferenciadores dos existentes na ilha e nesta zona dos Capelinhos”, sustentam os empreendedores para quem a inauguração do espaço e a receção dos primeiros hóspedes no dia seguinte representou “um momento muito simbólico… O desígnio do nosso projeto”.
Neste contexto, os empresários adiantaram que prepararam para eles uma receção especial. “Os primeiros hóspedes ficaram incrédulos quando anunciámos que eram os primeiros clientes a estrear o Refúgio dos Capelinhos. São de naturalidade neerlandesa e como boas-vindas oferecemos o jantar. Ficaram encantados com o que comeram, com as nossas instalações e com a maravilhosa vista que temos para a baía da Fajã”, registam.
Projetos futuros
O projeto do Refúgio dos Capelinhos teve início em 2018. Durante estes seis anos enfrentou a pandemia e a “tirana invasão da Ucrânia pela Rússia”, que de acordo com Márcio e Tânia vieram “modificar radicalmente” os custos do investimento. “Dada a inflação e outros fatores técnicos estes valores ainda não estão totalmente apurados”, assumem, mas isso não fez desanimar esta dupla.
Sendo este um espaço de TER-AR (Turismo em Espaço Rural na categoria de Alojamento Rural) devidamente certificado pela entidade competente, os proprietários submeteram o investimento aos apoios Europeus do “Competir+”.
Os empresários ainda mal terminaram este investimento, mas estão já cheios de projetos e ideias para que este seja um projeto de sucesso.
“Em breve teremos um conjunto de bicicletas elétricas de modo a permitir que os nossos hóspedes possam estacionar a sua viatura e explorar os atrativos turísticos circundantes, de forma mais sustentável e em maior contato com a natureza”, revelam
Pretendem também no futuro para o espaço da Adega do Refúgio receber a “visita de turistas que estejam na ilha e que por exemplo, após uma visita ao Centro de Interpretação do Vulcão, possam vir conhecer um espaço típico com alfaias e utensílios de outrora como também provar um licor, uma aguardente e algum produto da gastronomia local”.
Sobre a ideia da adega, Márcio e Tânia explicam, que “uma parte da nossa formação também passou pelos vinhos de Norte a Sul do país e foi surgindo o gosto e a vontade de um dia plantarmos uma vinha e produzir o nosso próprio vinho”.
“A vinha está a florescer… o vinho um dia surgirá!”, afirmam, esclarecendo que a sua intenção não é comercializar esse vinho, mas este “será para consumo próprio e dos hóspedes do hotel”.
A finalizar a nossa reportagem os empresários deixaram um convite à população para visitar a sua página oficial, seguirem as suas atividades nas redes sociais.
“Caso pretendam conhecer melhor, visitem o nosso espaço podendo até reservar um convívio/refeição em família no Norte Pequeno”.
















