Rombo nas dormidas em 2020 – Um 2020 tão negativo requer um 2021 pujante para evitar colapso do setor

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Os dados disponibilizados pelo Serviço Regional de Estatística, apesar de ainda não serem os finais globais de 2020, demonstram a redução drástica no número de dormidas em unidades hoteleiras, espaços de alojamento local e de turismo em espaço rural durante 2020. As razões são por todos conhecidas.
Em entrevista ao Tribuna das Ilhas Pedro Rosa, da Associação de Turismo Sustentável do Faial (ATSF), faz um balanço de 2020 e lança vagas perspetivas do que pode ser 2021 pois a incerteza ainda é muita.

ATSF: “Um nível de faturação em 2021 equivalente a 2020 ditaria o colapso de grande parte do setor”

TI: O ano de 2020 foi marcado pela pandemia de Covid-19 e isso trouxe fortes impactos no setor do turismo, em todas as suas vertentes. Conseguem quantificar as quebras percentuais, em relação a 2019, quanto a ocupação/ número de dormidas?
ATSF: As quebras no sector do turismo são gigantescas. Os dados apurados pelo SREA de Janeiro a Outubro indicam uma quebra de 76,3% no número de dormidas, no Faial. Esta foi a quebra mais acentuada de todo o arquipélago e este é um dado que nos deve fazer reflectir pois é também consequência da forma como tem sido feita a promoção da nossa ilha e da maneira como nos posicionamos enquanto destino no contexto regional. Há aqui questões estruturais e estratégicas que têm que ser revistas. Tem de haver mais investimento na promoção do Faial e um trabalho profundo ao nível do que é a nossa identidade e a nossa oferta enquanto destino turístico. Temos de saber mostrar aos potenciais visitantes aquilo que torna o Faial único no contexto da região e todos os motivos pelos quais vale a pena planear estadas mais longas e fora da época alta. É absolutamente imperativo que os investimentos públicos no turismo, incluindo a promoção, sejam realizados de uma forma coesa, esclarecida sobre os objetivos a atingir e com caráter profissional. A ATSF tem projectos em andamento e propostas concretas mas é essencial as entidades públicas envolverem-se mais e apoiarem iniciativas que visem a promoção e qualificação do Faial enquanto destino turístico sustentável e de excelência.

TI: Os números reduzidos deste ano tiveram impacto a nível de despedimentos/ número de contratados na época alta?
ATSF: Os trabalhadores com contrato sem termo mantiveram-se, quer por via do layoff, quer por via de outros apoios à manutenção do emprego.
Mas sendo o turismo uma atividade com bastante sazonalidade, especialmente na nossa região, e ainda mais na nossa ilha, houve muitas pessoas com contratos a termo que não foram renovados e, acima de tudo, muitas pessoas que não chegaram a ser contratadas para o reforço de equipas na época alta.

TI: Esta época natalícia e de ano novo trouxe algum movimento extra?
ATSF: A época do natal e da passagem de ano é normalmente muito residual na nossa ilha. Este ano foi ainda mais fraca. A título de exemplo, apenas um dos hotéis da Horta esteve aberto na passagem de ano com serviço de jantar. Muitas outras unidades de alojamento estiveram encerradas.

TI: Para 2021 já há reservas? Se sim, são números que deixem boas perspetivas?
ATSF: Tradicionalmente, nesta altura do ano, muitos alojamentos e empresas de animação turística e marítimo-turística já teriam bastantes reservas para a Páscoa e para o Verão, especialmente de turistas estrangeiros. Até agora os números estão bastante abaixo do normal. É natural que assim seja. Há certamente falta de confiança mas acreditamos que, mesmo havendo redução nos números globais de viajantes, existe uma grande vontade de voltar a viajar, especialmente para lugares com características como os Açores.

TI: Se 2021 for semelhante em termos de ocupação o que esperar no setor?
ATSF: É difícil fazer projeções sobre o que serão os números de 2021. Há ainda muitas variáveis e estamos longe da época alta, que será determinante. Para 2021, contamos que possa haver uma época mais longa do que em 2020, que ficou reduzida a agosto e setembro Isso fará a diferença, mesmo num contexto de procura mais reduzida.
Neste momento, os Açores têm de se concentrar em preparar a época. Se formos capazes de fazer uma boa promoção, comunicarmos claramente com os potenciais visitantes, tivermos um sistema de testagem eficaz e controlarmos os números de infetados, podemos ter um ano razoável. Para o Faial será ainda essencial ter boas acessibilidades aéreas diretas pois sem isso todo o esforço poderá ser em vão. Um nível de faturação em 2021 equivalente a 2020 ditaria o colapso de grande parte do setor. n

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