Associação de Turismo Sustentável do Faial

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“Ano novo, vida nova”, assim diz o ditado. No que respeita ao sector do turismo, o ano que acabou foi muito duro, a par de outros segmentos da economia e da sociedade que têm passado grandes dificuldades. O ano que agora começa traz alguma esperança, mas envolta numa neblina de incerteza. A vacinação que se iniciou nos países da EU, e um pouco por todo o mundo, vai contribuir para alguma normalização, mas não é de esperar que seja a tempo de proporcionar um verão de 2021 normal. Não havendo um verão turístico normal, não há um ano económico positivo neste sector.
No entanto o sucesso do turismo no futuro próximo não depende só de factores externos. Se os Açores querem ter uma boa retoma do turismo em 2021, esta tem que ser preparada já, com consistência e clareza.
Em 2020 dependemos muito do turismo nacional e é expectável que em 2021 este mercado continue a ser decisivo. No entanto é essencial garantir o regresso dos mercados estrangeiros, especialmente dos países da Europa Central. Os turistas alemães, suíços, belgas, holandeses e franceses, entre outros, são fundamentais para ilhas como o Faial, especialmente para os segmentos de maior valor acrescentado e que mais contribuem para a imagem positiva do destino.
Para nos podermos destacar no curto prazo temos de apostar numa melhor promoção e comunicação com os potenciais visitantes, evidenciando as características que nos tornam um destino seguro, ancorado na natureza e na sustentabilidade. O investimento na comunicação online e com os parceiros do sector é fundamental.
Como vamos ter ainda um ano muito afectado pela pandemia, quem quer viajar para os Açores em 2021 tem de ter boa informação disponível e saber claramente quais são as regras para viajar. Em 2020, o sistema de testagem para os viajantes foi um factor extremamente positivo, apesar de alguns percalços. Certamente este tipo de controlo continuará a ser fundamental em 2021. Qualquer que seja o sistema adoptado, se estas regras não forem bem comunicadas ou ele não funcionar bem na prática, haverá graves consequências para a economia e para a imagem da região.
É ainda fundamental que estejam garantidas boas acessibilidades aéreas para o Faial e as ilhas do Triângulo neste próximo Verão IATA. Os voos directos são essenciais para criar um fluxo independente e natural para este sub destino que é o Triângulo. Sem uma boa oferta destes voos haverá um grande constrangimento à retoma do turismo nestas ilhas.
Infelizmente, o apoio às empresas vai continuar a estar na ordem do dia, pelo menos durante 2021. Só há emprego com empresas e estas estão extremamente fragilizadas. Moratórias e linhas de crédito não são a resposta. Sem apoio directo à liquidez a fundo perdido, iremos ter uma cascata de falências, desestruturação económica e aumento brutal do desemprego. Poderá não ser de imediato mas irá acontecer porque as empresas, especialmente as pequenas e médias, não conseguirão sobreviver com tanto endividamento.
Num outro plano, no momento em que se antevê a activação da “bazuca” de financiamento europeu para relançar a economia e estimular o investimento privado, há também que tomar importantes decisões estratégicas para o futuro. O potencial dos Açores na vertente turística é enorme e está certamente na mira de muitos investidores. Sublinhamos sem receios a nossa convicção de que nem todo o investimento será benéfico para a região. Há que ser selectivo e criar regras que protejam os Açores de uma investida que ponha em causa o desenvolvimento sustentável da região. São inúmeros os exemplos de lugares extraordinários que ficaram irremediavelmente afectados pelo turismo massificado. Para evitar esse tipo de derivas há que avançar com a aprovação rápida do POTRAA, ou de outro plano estratégico equivalente, bem como do novo Regime Jurídico do Alojamento Turístico. Estes instrumentos legislativos são fundamentais para o ordenamento, regulação e valorização da oferta turística do arquipélago.
Certamente relançar o turismo abrindo a porta a projectos de investimento como o do Hotel da Praia do Degredo, que previa 568 camas num complexo turístico em zona costeira e foi travado in extremis com legislação excepcional, não será a aposta certa para um destino como os Açores.

Feliz ano novo para todos.

A Direcção da ATSF

 

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