“Sempre tive vontade de ter algum reconhecimento a nível nacional”

0
119
blank

Num mundo em constante mudança, onde a era digital cada vez mais se afirma, os desportos motorizados não são exceção, tendo a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK), o Automóvel Club de Portugal (ACP) e a Sports&You avançado com a organização e promoção dos primeiros campeonatos nacionais de Sim Racing no ano passado. O “rali virtual” tem cada vez mais adeptos e a competitividade é elevada. O jovem Miguel Nóbrega, filho do antigo piloto de ralis Paulo Nóbrega, adaptou-se como poucos a esta realidade, batendo toda a concorrência na primeira edição do Campeonato PORTUGAL RALIS ESPORTS (CPRE), sagrando-se assim o primeiro campeão nacional nesta categoria. O Tribuna das Ilhas quis saber mais sobre este desporto e esteve à conversa com o jovem piloto.

Tribuna das Ilhas (TI) – Como surgiu este interesse por ralis virtuais?
Miguel Nóbrega (MN) – O meu interesse começou primeiro pelo rali “real”. O meu pai era piloto de ralis quando nasci e desde aí que o rali e o desporto motorizado sempre foram um grande interesse meu. O meu pai tinha um volante em casa para treinar, e lembro-me de, em criança, sentar-me no colo dele porque ainda não chegava aos pedais e só virava o volante. Foi desde aí que criei o bichinho pelos ralis, que até hoje nunca parou.

TI – O que te levou a inscrever no campeonato nacional FPAK/E-sports?
MN – Era um projeto que já esperava há muito tempo. Desde que o Sim Racing começou, estava à espera de que houvesse um campeonato destes. Finalmente avançou o ano passado e inscrevi-me logo.

TI – Qual a sensação de ser campeão nacional FPAK/E-sports?
MN – É quase um sonho realizado. Estou muito feliz, muito orgulhoso de mim mesmo. Desde que comecei a fazer competições sempre tive vontade de ter algum reconhecimento a nível nacional e conseguir provar que sou capaz de ser melhor que os melhores pilotos de Portugal.

TI –Tens alguns apoios?
MN – Faço parte de uma equipa, a AZR, e essa equipa tem apoios.

TI – Depois de conquistar um Campeonato Nacional, sonhas com um Mundial?
MN – É difícil, existem muitos pilotos que considero que são superiores a mim, mas acho que é um passo que se pode tentar dar.

TI – Tens algum piloto de referência?
MN – Sim, tenho, um português, que por acaso não competiu porque acho que está sem equipamento. Chama-se Pedro Silva, e já chegou a ser campeão mundial.

TI – Achas que este desporto é devidamente apoiado e valorizado ou ainda há trabalho a fazer nesta área?
MN – Está finalmente a ter o reconhecimento que é merecido, mas acho que ainda pode ter mais porque é uma coisa que está a ficar cada vez mais realista. Apesar de ser um jogo, é muito físico. Nos dias de competição eu ficava completamente estafado, acabava e ia-me deitar logo.

TI – Neste desporto os pilotos estão todos em “pé de igualdade” ou também existem viaturas melhores que outras?
MN – Existem sempre viaturas melhores que outras, algumas são melhores em terra, outras em asfalto, mas as diferenças são mínimas.

TI – Treinas muitas horas por semana?
MN – Os dias em que perco mais horas são antes da competição, duas ou três horas por dia. Numa semana sem competição treino cerca de uma hora ou nem treino.

TI – Consegues conciliar bem o treino com os estudos?
MN – É difícil, também nunca fui uma pessoa que estudasse muito… Agora estou melhor, mas conciliar tudo é complicado.

TI – Uma das maiores críticas aos desportos virtuais é o sedentarismo. O que fazes para o combater?
MN – Eu acho que uma pessoa que trabalhe num escritório não é muito diferente de uma pessoa que joga assim várias horas. Não me considero sedentário, jogo futebol, saio com os amigos, etc.

TI – É o teu objetivo no futuro participar em ralis “físicos”?
MN – Claro, é um sonho, desde pequeno que vejo o meu pai e sempre gostei.

TI – Achas que a prática no rali virtual ajudará nisso?
MN – Certamente, os profissionais de agora já o usam para treinar para a realidade. Não é igual, mas ajuda muito com os jeitos e automatismos, considero que é uma mais-valia.

TI – Que conselhos poderias dar a quem quisesse começar neste desporto?
MN – Não achem que o que mais importante é o equipamento. Volantes e pedais caros não é o mais importante. É treinar, competir e ver vídeos sobre trajetórias.

TI – O que sentes quando estás a jogar?
MN – É relaxante.

 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!