Sindicato acusa Governo de abandonar trabalhadores não docentes nas escolas

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O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPSSRA) acusou hoje o Ministério da Educação de abandonar os trabalhadores não docentes das escolas que continuam abertas.Em comunicado, o STFPSSRA denunciou que os profissionais dos cerca de 600 estabelecimentos de ensino de referência abertos durante a pandemia de Covid-19 estão, em muitos casos, a trabalhar sem a presença de qualquer chefia ou de professores que possam enquadrar as atividades letivas dos poucos alunos que frequentam a escola.

Estas escolas são a exceção à decisão do Governo de encerrar todos os estabelecimentos de ensino e foram referenciadas para garantir as refeições dos alunos mais carenciados e acolher os filhos de pessoal hospitalar e de emergência.

Segundo o sindicato, que acusa a tutela de deixar os trabalhadores não docentes “ao abandono nas escolas”, estes profissionais não têm sequer acesso a materiais de apoio e proteção.

“Nas escolas que estão destinadas para filhos de trabalhadores de saúde, bombeiros, polícias e outros profissionais afins, os trabalhadores não docentes estão a exercer funções sem qualquer material de apoio e de proteção”, afirmam em comunicado.

O STFPSSRA critica também a abertura das escolas, considerando que não permite um verdadeiro acompanhamento dos alunos, além de impedir que os trabalhadores estejam com os filhos em casa.

“A medida certa seria permitir que no caso de existirem dois trabalhadores, progenitores da criança, obrigados a serviços imprescindíveis, para a saúde pública e segurança do país, um deles deveria ter direito a ficar com o seu filho”, sublinham.

Segundo os diretores escolares, os cerca de 600 estabelecimentos abertos desde segunda-feira já estão a garantir o almoço aos alunos mais carenciados, apesar de, no primeiro dia, a maioria não ter recebido qualquer aluno de pais com profissões classificadas essenciais nesta fase de pandemia do novo coronavírus.

O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, confirmou na segunda-feira à Lusa que, para já, os professores estão a trabalhar a partir de casa, mas, em caso de necessidade, podem ser requisitados para ir para a escola.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou mais de 180 mil pessoas, das quais mais de 7.000 morreram. Das pessoas infetadas em todo o mundo, mais de 75 mil recuperaram da doença.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 448, mais 117 do que na segunda-feira, dia em que se registou a primeira morte no país.

Dos casos confirmados, 242 estão a recuperar em casa e 206 estão internados, 17 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Das pessoas infetadas em Portugal, três já recuperaram.

Portugal está em estado de alerta desde sexta-feira, e o Governo colocou os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.

Entre as medidas para conter a pandemia, o Governo suspendeu as atividades letivas presenciais em todas as escolas desde segunda-feira e impôs restrições em estabelecimentos comerciais e transportes, entre outras.

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