
Depois das eleições vem um tempo novo. Inicia-se um novo ciclo na governação a qualquer nível dos vários órgãos do poder democrático.
Se o resultado das eleições livres e democráticas – a expressão máxima da vontade dos cidadãos de qualquer condição – dita a manutenção no poder da mesma força partidária ou protagonistas, por regra, quase nada muda. Pelo contrário quando se altera a força partidária ou os protagonistas é natural a mudança de politicas, de atos e de atitudes.
No Faial, em resultado do último ato eleitoral, várias mudanças ocorreram a vários níveis da governação local, mantendo-se a mesma formação partidária e os mesmos protagonistas na administração da Câmara, mudando a maior força partidária e a maioria dos protagonistas na Assembleia Municipal e na maioria das Juntas e Assembleias de Freguesia.
Assim, houve uma alteração significativa na correlação de forças no quadro autárquico na nossa ilha, o que irá certamente obrigar a Câmara a ter uma atitude mais eficaz e mais dialogante.
Da parte da nova maioria partidária na Assembleia Municipal também haverá certamente uma atuação mais exigente e com maior responsabilidade politica na medida em que para além da maior capacidade em fiscalizar os atos da Câmara, terá também de estar aberta acriar condições para a possível governabilidade do município.
No que às freguesias diz respeito estas questões não se colocam porque as maiorias partidárias estão firmadas no órgão executivo e deliberativo.
Julgamos que com este novo quadro autárquico o Faial ficou a ganhar. Ficou a ganhar porque a correlação de forças é mais equilibrada o que levará a um maior e mais aprofundado debate sobre tudo ao que ao Faial diz respeito, o que se espera que venha a contribuir para a uma maior afirmação e desenvolvimento da nossa ilha.
Na narrativa discursiva dos socialistas na Câmara, referindo-se particularmente à oposição, tem sido lugar comum dizer que “temos de puxar o Faial para cima”. Este discurso que pretende passar a ideia de que a maioria socialista na Câmara é que é a mola impulsionadora desse movimento de ascensão é simplesmente ilusório e, infelizmente, não passa da assunção clara de que o Faial não tem andado para a frente e que carece efetivamente de ser “puxado para cima”.
O Faial necessita urgentemente de ter maior peso politico no contexto regional, de ter maior capacidade de reivindicação, de ter maior participação da sociedade civil, de ter maior economia e de ter maior desenvolvimento. É por isto, e não por outra razão qualquer, que todos “temos de puxar o Faial para cima”.
Neste tempo novo, e no inicio deste novo ciclo na governação autárquica e nesta nova oportunidade que agora se abre esperamos sinceramente que o Faial não continue a ficar para trás.
Temos a única cidade das ilhas do triângulo, já fomos capital de distrito, orgulhamo-nos da nossa rica História, mas não podemos continuar agarrados apenas às memórias do passado e ver os nossos vizinhos (fruto de políticas próprias mais audaciosas mas também de maior protecionismo do poder regional) a ultrapassar-nos na liderança do investimento, com modernos e funcionais Auditórios ou Centros Culturais, melhores estradas, saneamento básico, melhores zonas balneares, melhores empreendimentos turísticos, mais indústria, melhores índices de procura e de economia, mais coesão da sua população e, mesmo, assumindo publicamente a vontade de nos substituir em termos de influência e decisão regional, o que até já se verifica em várias áreas.
Neste tempo novo – com novo cenário politico – esperamos convictamente que todos os agora eleitos para desempenhar os nobres cargos da nossa governação local se empenhem afincadamente em gerir equilíbrios e em criar condições para o desenvolvimento, presente e futuro, que o Faial tanto carece e merece.












