Transportes aéreos – SATA colocou mais de 1.000 funcionários em “Lay-Off”

0
52

O presidente do Conselho de Administração do grupo SATA, na sua audição perante os deputados da Comissão de Economia, informou que a empresa colocou 441 funcionários em ‘lay-off’ a tempo integral, 563 a tempo parcial, e mantém cerca de 400 trabalhadores a trabalhar a 100%, mantendo, no entanto, “todas as operações críticas em todas as ilhas e todas as áreas a funcionar plenamente”.
Luís Rodrigues adiantou ainda que não estão previstos despedimentos, mas sublinhou que a crise decorrente desta pandemia vai atrasar ainda mais o pagamento a fornecedores.
“Apesar de termos todos a esperança que o verão possa correr melhor do que está a correr agora, a disponibilidade das pessoas para viajar e a possibilidade de viajarem, todas as moratórias que foram feitas agora irão cair nessa altura e, portanto, a partir de setembro, passado esse período se nada for feito a situação torna-se ainda mais complicada”, referiu o executivo da transportadora aérea.
Nessa audição o presidente da SATA garantiu que a companhia aérea açoriana tem “a operação desenhada para, a partir de 01 de maio, voltar, gradualmente, à normalidade”, mas ressalva que “isso, sendo verdade hoje, amanhã pode já não ser”.
“A situação da SATA antes desta catástrofe era conhecida de todos. Não passámos do mau para o bom, passamos do mau para o pior ainda”, afirmou sobre a saúde financeira da empresa, adiantando que as contas de 2019 ainda não estão prontas, mas “não são muito diferentes do que têm sido nos últimos dois ou três anos”.
Para colmatar os prejuízos, já que, “neste momento, a SATA está praticamente sem receitas”, o grupo empresarial já recorreu a pedidos de moratória de todos os empréstimos bancários, à possibilidade de adiar todas as obrigações fiscais permitidas atualmente, suspensão de leasings de aviões, sem que fique comprometida a operação e, “inevitavelmente, mais atrasos ainda no pagamento a fornecedores”, bem como à suspensão temporária integral ou parcial de contratos de trabalho.
Sobre o plano de negócios da empresa, que devia estar terminado no início do segundo trimestre, Luís Rodrigues avançou que o “plano está feito, mas, neste momento, não faz sentido discuti-lo, porque o ano de 2020, que era o ponto de partida, ninguém sabe como vai ser”.

Covid-19 pode determinar a não privatização da SATA
A privatização de 49% do capital social da Azores Airlines – ramo da SATA que opera de e para fora dos Açores – não está ainda decidida, no entanto, a responsável dos Transportes na Região admitiu, na Comissão de Economia do parlamento açoriano, que “o cenário mudou tremendamente” e que, a nível europeu, o setor registou quebras “que chegam a atingir valores superiores a 90%”, o que, “obviamente, influenciará o processo de privatização”.
Ainda sobre o transporte aéreo, Ana Cunha afirmou que, “nesta fase, não há qualquer certeza na retoma da operação da Ryanair”, acrescentando que “não há, também, um abandono da sua operação nos Açores, há uma suspensão prolongada da operação da companhia aérea”.
Um primeiro concurso para a privatização de 49% da Azores Airlines foi anulado em novembro de 2018, não tendo o mesmo sido relançado até ao momento, mas mantendo o executivo açoriano essa intenção.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO