Transportes Marítimos – Agricultores faialenses indignados com serviço prestado pelos operadores

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Numa nota de imprensa remetida esta segunda-feira à redação do Tribuna das Ilhas, a Associação de Jovens Agricultores do Faial (JAGRIFA) e a Associação de Agricultores da Ilha do Faial, mostram-se “indignados” com o serviço prestado pelos operadores de transporte marítimo de mercadorias que operam na ilha.
As direções de ambas as Associações de Agricultores denunciam que no dia 3 de fevereiro em “véspera de um abate de bovinos agendado com base no itinerário previamente remetido pelos operadores”, foram informados que a operação com destino ao continente português seria adiada de quinta-feira para domingo.

“Quando parecia que a situação não podia piorar”, no dia seguinte e com os animais já abatidos, as Associações voltam a ser informados de que o transporte havia sido cancelado.
Esta situação não deixou satisfeitos os representantes dos agricultores faialenses que consideram tal ato “uma grande falta de respeito” pelo seu trabalho, e pelo trabalho de toda a fileira da carne do Faial e dos Açores.
“Trabalhamos com um bem perecível e o tempo após o abate é muito reduzido, sendo que, toda a logística é montada em função dos itinerários disponibilizados pelos operadores, que estão em constante alteração”, referem, adiantando que “esta situação acarreta custos e perdas de qualidade significativas, pondo em causa a dignidade de quem comercializa e de quem produz, impedindo a progressão do tão ambicionado valor acrescentado”, lê-se no documento.
Os dirigentes afirmam compreender as “dificuldades existentes” e até entendem que são “bastante tolerantes” em relação às constantes alterações às escalas predefinidas, que lhes “têm trazido prejuízos incalculáveis”, no entanto, consideram que é de todo “inaceitável uma falha de comunicação desta dimensão, ignorando por completo o nosso produto, o nosso trabalho, a nossa dignidade”, observam.
Na mencionada nota as Associa-ções, vêm exigir “que o Governo Regional exerça o seu papel e que evidencie os esforços necessários para que situações como esta não voltem a acontecer”, na ilha e nos Açores, sustentam.

CDS/PP considera imperativo um modelo novo de transporte marítimo de mercadorias

Em relação a este assunto também o CDS/PP já se veio manifestar, apontando para a necessidade urgente de ser criado um novo modelo de Transporte marítimo de mercadorias nos Açores.
“Os constrangimentos nos transportes marítimos, a sua falta de articulação, põem cada vez mais em causa a economia dos Açores, prejudicando as empresas e a população”, observa Artur Lima, que esta semana, apresentou no decorrer da sessão plenária de fevereiro, um projeto de resolução, para que o Governo Regional realize um estudo de viabilidade económica de um modelo alternativo de transportes marítimos de mercadoria nos Açores.
Perante todas as dificuldades sentidas pelos empresários quer ao nível do escoamento dos produtos da pesca, da agricultura e da pecuária, bem como quanto aos atrasos verificados na mercadoria vinda do Continente, quer ainda pela falta de capacidade de carga, porque os horários não estão devidamente articulados, ou porque simplesmente o navio não vem, o CDS considera fundamental que seja implementado um novo modelo de transportes marítimos que resolva as questões logísticas das mercadorias.
No projeto apresentado, o CDS propõe que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores recomende ao Governo Regional a realização um estudo de viabilidade económica, de diferentes modelos de transporte marítimo de mercadorias, que contemple o transporte do continente para os Açores e a distribuição da carga inter-ilhas.
Este debate com caracter de urgência acabou mesmo por marcar a manhã do primeiro dia de trabalhos do hemiciclo açoriano do mês de fevereiro.
Sobre este assunto a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas, Ana Cunha, subiu à tribuna para afirmar que “o Governo Regional está sempre disponível para estudar o modelo” de transportes, mas considerou que o CDS-PP “não diz o que entende que está mal no atual modelo”, defendendo que este modelo “tem a virtude de conciliar de forma satisfatória o interesse das diferentes ilhas, e, por conseguinte, dos Açores”.
A proposta teve ainda o apoio dos partidos, que foram unanimes em considerar que os transportes marítimos na Região necessitam de ser revistos de forma a corresponder às necessidades dos açorianos.

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