Trump perdoou os perus mas é só. Adversários e jornalistas fora do espírito da Ação de Graças

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso irado na noite desta terça-feira, no estado da Flórida, onde vai passar o feriado do dia de Ação de Graças, em vésperas de ser conhecido o relatório do processo de impeachment.
Em Sunrise, ao norte de Miami, Trump insultou os adversários políticos, chamou os democratas de “depravados” e afirmou que está a ser atacado, porque colocou em evidência “um sistema disfuncional” em Washington. O presidente dirigiu também a sua ira à imprensa, afirmando que os jornalistas são “umas das pessoas mais corruptas do mundo”.

“Os democratas radicais estão a tentar reverter a última eleição, porque sabem que não podem vencer a próxima”, disse Trump, enquanto a multidão gritava: “mais quatro anos!, “mais quatro anos!”.

Perdoar os perus

Antes de viajar para a Flórida, Trump cumpriu a tradição de perdoar dois enormes perus – Bread e Butter (Pão e Manteiga) – por ocasião de uma das maiores festividades do país, na qual essas aves são o prato principal.

“Desejo a todos um feliz Dia de Ação de Graças”, disse o presidente antes de perdoar os perus.

Donald Trump estava acompanhado da mulher, Melania, que pouco antes tinha sido vaiada num discurso sobre os riscos das drogas, na cidade de Baltimore.

O presidente vai passar o feriado em Mar-a-Lago, o seu campo de golfe e residência particular na costa atlântica da Flórida.

“Os presidentes não são reis”

Os democratas que investigam Trump estão prontos para avançar no processo de impeachment após o intervalo do Dia de Ação de Graças e, na segunda-feira, receberam boas notícias dos tribunais.

Um tribunal de recurso em Washington decidiu que os assessores de Trump devem cumprir as intimações do Congresso no contexto do processo de impeachment contra o presidente.

Num caso que envolveu o ex-advogado da Casa Branca Don McGahn, intimado em maio pela Comissão Judiciária da Câmara, o juiz Ketanji Jackson decidiu que os altos funcionários da administração não podem deixar de testemunhar alegando a sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos.

“Os presidentes não são reis”, escreveu Jackson em sua decisão. “Ninguém, nem mesmo o chefe do Poder Executivo, está acima da lei”, disse ainda o magistrado.

O juiz indicou que a decisão sobre o caso de McGahn era aplicável a todos os assistentes do presidente, atuais e passados. Várias autoridades ligadas a Trump evitaram as intimações do Congresso nas últimas semanas para testemunhar.

A decisão pode levar o Comité de Informação da Câmara dos Deputados, que prepara as acusações de impeachment contra Trump devido ao processo que envolve a Ucrânia, a forçar o testemunho de três testemunhas-chave: o ex-assessor de Segurança Nacional John Bolton, o chefe de Gabinete da Casa Branca, Mick Mulvaney e o Secretário de Estado Mike Pompeo.

Os democratas suspeitam que todos tenham conhecimento direto do suposto pedido de Trump ao presidente da Ucrânia Volodimir Zelenski para investigar o seu rival político Joe Biden em troca da aprovação de ajuda militar.

O caso levou a abrir a investigação em 24 de setembro para determinar se Trump abusou ou não dos seus poderes ao fazer esse pedido ao presidente ucraniano.

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