Um Comissário que nem sobre o leite derramado chora

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Uma infeliz conjugação de fatores está a contribuir para a baixa do preço do leite pago ao produtor um pouco por toda a Europa. Na verdade, o fim das quotas leiteiras, o embargo russo aos laticínios europeus e o crescimento anémico do consumo de produtos lácteos em mercados emergentes, como é o caso da China, conduziu a um excedente de produção. Num mercado liberalizado como o que vigora deste o dia 1 de abril o efeito é a baixa do preço dos produtos. 

Como a regulação do mercado é incipiente e a relação produção/distribuição permanece altamente desequilibrada, a fatia de leão da baixa do preço do leite está a ser absorvida pelos produtores que veêm desta forma degradar-se o rendimento das suas explorações.
Quando foi decidido não prolongar o regime de quotas as expetativas eram outras. Desde logo, aumentar as exportações europeias de produtos lácteos com especial enfoque nos já referidos mercados emergentes. Por outro lado, não era, naturalmente, previsível um embargo Russo. Ainda que os mercados externos estivessem em plena expansão, apenas alguns teriam reais possibilidades de as explorar e, apenas estes mesmos, de sobreviver em condições adversas. O contexto atual ilustra isso bem. No médio a longo prazo, este cenário pode acompanhar-se de consequências com custos socias e ambientais muito elevados, se pensarmos na intensificação da produção e no abandono da atividade. Infelizmente, como está à vista, é com este mesmo cenário que prefere comprometer-se a maioria política que define os desígnios da agricultura europeia.

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