Uma nova atitude para a ilha do Faial- “Atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença.” Clarice Lispector

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1.O Faial primeiro!

O desenvolvimento do Faial exige dois pressupostos fundamentais: uma nova atitude na defesa da nossa ilha; e uma estratégia para o futuro.
Uma nova atitude, assente na defesa intransigente desta ilha, é o primeiro passo para que o Faial e os faialenses voltem a conquistar o respeito no seio da região e a ver cumpridas as promessas repetidamente feitas e, também repetidamente, adiadas e arrastadas ao longo dos anos, pela governação regional cada vez mais centralista.
Não gostamos de ouvir quem nos visita, dizer que estamos parados no tempo. Eu não gosto, e acredito que nenhum de nós goste de ser “brindado” com tal comentário, cada vez mais frequente, inclusive quando visitamos outras ilhas.
“Parámos no tempo”? Se parámos foi porque ao longo das últimas décadas, os investimentos nesta ilha foram sucessivamente adiados, repartidos em fases e encurtados, como é o caso do molhe norte do porto, e nalguns casos foram até eliminados dos planos governamentais, como são os casos das Termas do Varadouro, do estádio Mário Lino ou,mais recentemente, da 2ª fase da Variante à Cidade da Horta.
E porque é que isto aconteceu? Porque nos acomodámos e fomos aceitando tudo de forma mais ou menos consentida. Começámos a conformar-nos com a inevitabilidade do esvaziamento e com a incapacidade dos nossos governantes em defender os interesses da nossa ilha.
Mas esta situação não é uma inevitabilidade e tem que acabar. Aliás, os faialenses já mostraram a sua força, por duas vezes, no segundo semestre de 2016. Mostraram que, no Faial, mandam os faialenses, e que exigem que acima de interesses partidários ou de qualquer outra natureza, sejam colocados os interesses do Faial.
Esta é a nova atitude necessária: colocar sempre o Faial em primeiro lugar.

2.Uma estratégia para o futuro
A segunda condição para o desenvolvimento do Faial traduz-se na necessidade de uma estratégia para o futuro: saber o que pretendemos para a nossa ilha e definir o caminho e o modelo para lá chegar.
O Faial precisa de ter uma estratégia para se assumir comouma ilha com acrescida qualidade de vida para os residentes e atrativa para quem nos visita, apoiando também quem pensa em investir. Aliás, estes são aspetos complementares, pois apenas com oportunidades para todos, com investimento e com emprego, será possível alcançar mais e melhor desenvolvimento e promover a nossa qualidade de vida.
A concretização de uma nova visão requer que se aposte numa nova estratégia, que valorize cada uma das nossas 13 freguesias e exponencie as suas potencialidades, garantindo o desenvolvimento de todas as freguesias e a conjugação articulada da melhoria de cada freguesia em prol da afirmação da ilha do Faial.
A estratégia necessária tem que potenciar o mar, quer em termos de vivência, quer ao nível económico; tem que apostar na organização e diversificação da produção agrícola e na valorização dos nossos produtos; tem que cuidar do ambiente, como marca nuclear associada à preservação das belezas naturais; tem que revalorizar o património cultural a favor dos faialenses e de todos os que nos visitam; tem que promover a reabilitação urbana, dando mais vida à cidade e às freguesias; e tem também que valorizar o Triângulo como produto turístico de elevado potencial, captando fluxos específicos que poderão dar um grande contributo à nossa economia e às oportunidades de emprego a criar em várias áreas na ilha do Faial.
A estratégia que preconizamos abrange ainda o reforço da participação cívica, incluindo no relacionamento com a própria câmara municipal, com maior abertura à comunidade e sessões abertas à população em todas as freguesias, com a melhoria do ambiente interno e valorização dos seus funcionários, e com a implementação de uma filosofia de acolhimento, esclarecimento e incentivo aos potenciais investidores.
Atitude e Estratégia são, assim, dois pilares determinantes para criar oportunidades para todos, para melhorar a qualidade de vida nesta ilha e para voltar a afirmar o Faial no seio da Região Autónoma dos Açores.

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