Ventos de mudança

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1. O novo quadro político dos Açores
As eleições regionais do passado dia 25 ditaram um novo quadro político nos Açores.
O Partido Socialista foi o mais votado e obteve 25 mandatos, mas perdeu 5 deputados e deixou de ter maioria absoluta na Assembleia Legislativa, continuando o seu percurso de perda acentuada de votos na Região. Nas eleições de 2016, o Partido Socialista teve 43.266 votos e agora obteve 40.701; se compararmos com os 52.793 votos atingidos em 2012, são menos 12 mil votos no partido que nos governa há 24 anos.
O PSD/Açores foi o segundo partido mais votado, conquistou mais 6 mil votos e obteve 21 mandatos. Em circunstâncias muito difíceis, os açorianos deram um sinal de que querem uma mudança e viram em José Manuel Bolieiro uma personalidade credível, capaz de liderar uma alternativa à atual governação.

2.Resultados no Faial
No Faial, o PSD conquistou 41,04% dos votos e venceu em doze das treze freguesias.
Foi uma vitória expressiva e que, na minha opinião, entre outros motivos, resultou do trabalho realizado ao longo dos últimos anos e da relação de confiança estabelecida com os faialenses, da qualidade da equipa de candidatos e das propostas apresentadas, bem como da vontade da nossa população em afirmar que pretende algo mais para esta ilha. Os faialenses exprimiram desta forma a sua ambição quanto ao desenvolvimento do Faial e à atitude necessária para o alcançar.
Na qualidade de candidato, agradeço a confiança depositada na nossa equipa e no nosso projeto, e felicito também todos os candidatos que deram corpo aos diferentes projetos, pela coragem de assumir um desafio desta natureza e pela forma elevada como todos conduziram a campanha eleitoral.

3.Novas forças parlamentares
O resultado eleitoral ditou a presença de novos partidos na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Será o Parlamento mais plural de sempre, com oito forças políticas. Todos os deputados foram democraticamente eleitos e têm, por isso, a mesma legitimidade.
Em democracia, são os eleitores que escolhem e esta decisão tem de ser respeitada sempre, e não apenas quando nos convém.
E com estes resultados, a Assembleia Legislativa, que tinha sido relegada para um plano secundário pela estratégia política do partido no poder, volta a ocupar o lugar central do regime autonómico. O primeiro órgão da autonomia readquire na prática o lugar que é seu por direito nos termos do Estatuto Político-Administrativo da Região.

4.Diminuição da abstenção
Nos Açores, a taxa de abstenção que em 2016 se cifrou em 59,16%, baixou nestas eleições para 54,58%. Apesar de estarmos perante valores que são ainda extremamente elevados, os dez mil açorianos que não haviam votado em 2016 e decidiram participar neste ato eleitoral mostram que é possível inverter o caminho crescente da abstenção.
No Faial, a abstenção diminuiu também de 49,67% para 45,92%. Na nossa ilha, votaram este ano mais quinhentas pessoas do que aquelas que haviam votado há quatro anos.
O aumento da participação eleitoral é um sinal muito positivo. Mostra que é possível fazer chegar as propostas dos candidatos a mais faialenses e a mais açorianos, mostra que é possível incrementar a relação de confiança entre eleitores e eleitos e, consequentemente, a motivação das pessoas para participarem na escolha dos nossos representantes.

5.Tempos desafiantes e de elevada responsabilidade
Os próximos tempos serão de grande exigência e requerem humildade democrática, sentido de responsabilidade e um verdadeiro compromisso com os Açores e com os açorianos.
A Região precisa de um governo formado por quem for capaz de assegurar estabilidade governativa, capacidade de diálogo com os outros partidos e a sociedade civil, e novas políticas para o desenvolvimento económico e social dos Açores.

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