Vasco Almeida, árbitro de futebol – “Quando o jogo começa, desligamos aquilo que não interessa”

0
8

No passado mês de maio, Vasco Cabral Almeida, árbitro da Associação de Futebol da Horta, alcançou o primeiro lugar na classificação intermédia nacional de árbitros da Categoria C4,
atribuída pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), e que envolveu 66 árbitros de 22 Associações de Futebol do país. O Tribuna das Ilhas esteve à conversa com ele para saber mais sobre os motivos que o levaram a enveredar por esta carreira.

Tribuna das Ilhas: Começou por jogar futebol, mas a arbitragem “apitou” mais alto. A arbitragem é uma paixão?
Vasco Almeida: Comecei a jogar futebol aos 7 anos e simultaneamente praticava atletismo. Até aos 14 anos consegui conciliar as duas modalidades, mas, quando fui tirar o curso de arbitragem em maio de 2004, o interesse pela arbitragem acabou por se sobrepor às modalidades de atletismo bem como à prática do futebol de formação. A causa da arbitragem é, sim, uma paixão.

TI: O que leva um rapaz de 14 anos à arbitragem?
VA: No meu caso, existiu uma forte influência familiar e de amigos que faziam parte do meio da arbitragem quando iniciei atividade de árbitro, o que facilitou a minha adaptação. Foi uma decisão da qual não me arrependo, depois de ter sido guarda-redes e defesa central, e também ter feito atletismo de estrada e várias modalidades de pista.

TI: Aplicar competências e conhecimentos, mas em frações de segundo. Acha que esta é a definição das principais dificuldades de uma arbitragem?
VA: Sim, a tomada de decisão de um árbitro em poucos segundos é uma das grandes competências que este tem e que pode ser trabalhada e é isso que nós fazemos durante a semana para estar o melhor possível nos jogos.

TI: O árbitro é o elo mais fraco do futebol?
VA: O árbitro não é o elo mais fraco, é parte integrante do futebol, onde queremos que não haja espaço para fracos, mas sim um elemento que potencie um futebol melhor em todos os aspetos.

TI: Como se lida com a pressão a que se está sujeito, tanto do público, como dos jogadores e equipas técnicas?
VA: Quando o jogo começa desligamos aquilo que não interessa e focamos no jogo, portanto esta pressão de que muitas vezes se fala acaba por ser inexistente para nós, árbitros, que estamos concentrados na nossa missão de arbitrar um jogo de futebol.

TI: Quais foram as suas grandes referências na arbitragem?
VA: São muitas, a primeira a destacar foi a do meu primeiro chefe de equipa, Rui Cabral, que foi, para mim – e será sempre -, um dos melhores árbitros dos Açores. Foi uma grande referência no início da minha atividade de arbitragem. A nível nacional, são muitas referências a destacar como Pedro Proença, Jorge Sousa e Olegário Benquerença. São, para mim, símbolos da arbitragem nacional e tive oportunidade de assistir a jogos destes mesmos árbitros que já não estão no ativo.

TI: Que mensagem deixaria aos jovens que tenham como objetivo seguir uma carreira na arbitragem?
VA: A arbitragem pode proporcionar oportunidades únicas na vida. No meu caso, deu-me a oportunidade de conhecer o país todo e centenas de pessoas ao longo destes anos, bem como inúmeras experiências que, se não estivesse inserido na arbitragem, não teria oportunidade de concretizar. O primeiro passo é mesmo tirar o curso de árbitro e depois tudo é possível, até mesmo fazer carreira de arbitragem em Portugal, com muito trabalho e dedicação é possível chegar a esse patamar, mas hoje em dia, mais do que nunca, a arbitragem é para os mais jovens. Mesmo em idade de futebol de formação, um jovem com 14 anos pode começar a arbitrar jogos de formação e aí desenvolver a sua atividade na arbitragem e será uma opção de que certamente nunca se irá arrepender.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO