Velas com orçamento de 14 ME para este ano e aposta no “combate à desertificação”

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A Câmara das Velas, na ilha de São Jorge, apresenta este ano um orçamento de cerca de 14 milhões de euros que “centra atenções” no “combate à desertificação” e nos apoios à “iniciativa privada” e “às famílias”.

O Orçamento da Câmara Municipal das Velas para 2020 ultrapassa os 14 milhões de euros, mais oito milhões” do que em 2019, “e centra atenções no combate à desertificação, prevendo medidas concretas de apoio à fixação de jovens, estímulo à iniciativa privada e apoio às famílias”, afirma a autarquia açoriana em nota enviada à imprensa.

Liderado desde 2013 por Luís Silveira (CDS-PP), o município prevê um défice zero para o ano de 2020, uma vez que os valores das receitas são iguais aos das despesas, sendo 8,9 milhões de euros destinados a investimentos e dois milhões de euros para despesas com pessoal.

O orçamento foi votado no final do ano passado e mereceu os votos favoráveis do CDS-PP, de um deputado do PSD e de outro do PS, dos presidentes das juntas de freguesia das Manadas e das Velas, respetivamente, e a abstenção dos restantes partidos: PS, PSD e CDU.

O PS, maior partido da oposição na Assembleia Municipal, mostrou-se “satisfeito” com “algumas considerações que foram tidas em conta”, como o valor conseguido para bolsas de estudo e de mérito, a criação do fundo social e do fundo de apoio à natalidade.

Segundo avançou à Lusa Maria Góis Teixeira, líder do grupo municipal socialista, apesar do “arrastar de ano para ano” de obras já apresentadas à comunidade, a governação do atual executivo merece “balanço positivo”.

“Será um balanço positivo, nunca será um balanço negativo, porque está a tentar estabilizar tudo o que são despesas, aquilo que mais apregoam, e que nós podemos, ao fim ao cabo, verificar que se concretiza em grande parte”, afirmou.

O PSD, através do líder do grupo municipal, Luís Furtado, afirma ter levantado questões relativamente aos “apoios às juntas de freguesia e aos apoios sociais”, mas afirma que o executivo camarário acarretou “recomendações da assembleia”, explicando assim o sentido de voto do partido.

“É evidente que não era o nosso orçamento, mas de grosso modo é um orçamento robusto, com uma boa gestão financeira”, apontou.

O social-democrata assinala, contudo, que devido à “gestão rigorosa” do autarca, “as coisas andaram paradas”, à espera de investimentos promovidos pelos fundos comunitários.

“Pomos sempre a questão de que o senhor presidente optou por ter uma boa conta de tesouraria e esperar pelos fundos comunitários. Portanto, tivemos aqui um ano onde as coisas andaram, vamos dizer, paradas à espera da candidatura”, diz, referindo-se a 2019.

O deputado único da CDU, que tem votado sempre contra os orçamentos deste mandato, justificou a mudança de posição porque “pela primeira vez houve abertura e a inclusão de recomendações” do partido, como as verbas para o “incentivo à natalidade” e a criação do “fundo de solidariedade municipal”.

António Machado reconhece que tem existido um “rigor e controlo orçamental”, mas destaca que não acredita em mandatos perfeitos.

“A fasquia estava tão baixa que qualquer coisa que fosse boa era vista como uma coisa muito positiva. O presidente está num patamar endeusado, mas há sempre alguma coisa a melhorar, não acredito em mandatos perfeitos”, afirma.

Quando Luís Silveira tomou posse, em 2013, substituindo o socialista Manuel Soares Silveira, anunciou que a dívida municipal ascendia a 12ME, valor que em 2018 se situava nos 3ME, segundo o Instituto Nacional de Estatística.

Hoje, a autarquia anunciou a inclusão na lista de 100 melhores do país para se viver (22.º lugar), segundo o Anuário Financeiro dos Municípios Portugueses, elaborado pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.

 

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