Wall Street fecha com as perdas mais pesadas desde 2008

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A bolsa nova-iorquina encerrou hoje com as perdas mais pesadas em uma única sessão em mais de 11 anos, com os investidores a cederem à queda vertical das cotações do petróleo e à crise mundial do novo coronavírus.Os resultados definitivos da sessão indicam que o Dow Jones Industrial Average perdeu 7,79%, para os 23.851,02 pontos.

Os outros dois índices emblemáticos tiveram desempenhos similares, com o tecnológico Nasdaq a recuar 7,29%, para as 7.950,68 unidades, e o alargado S&P500 a desvalorizar 7,60%, para as 2.746,56.

Para Howard Silverblatt, especialista de índices na S&P Dow Jones Indices, o S&P500 perdeu hoje 1,9 biliões (milhão de milhões) de dólares (1,7 biliões de euros) e 5,3 biliões de dólares desde o recorde que estabeleceu em 19 de fevereiro.

Ao dividir as perdas de hoje pela população dos EUA obtém-se o valor de 5.682 dólares.

Os três principais índices do Wall Street já perderam mais de 20% do recorde alcançado em fevereiro.

Uma baixa bolsista de 20% ou mais ocorrida durante um curto período caracteriza o designado ‘bear market’ (mercado urso), símbolo de investidores desmoralizados.

Pela primeira vez foi ativado hoje um mecanismo de interrupção das negociações durante um quarto de hora no início da sessão, quando as perdas do S&P500 já excediam os sete por cento.

A praça nova-iorquina esteve sob influência desde a abertura pelo afundanço das cotações do petróleo, que conheceram hoje a sua pior jornada desde a guerra do Golfo, em 1991, ao perderem cerca de 25%.

Em causa, a decisão da Arábia Saudita de adotar uma política de terra queimada ao baixar drasticamente o preço do seu petróleo e aumentar a sua produção, depois do fracasso as negociações com a Federação Russa no final da semana passada.

Entretanto, o Presidente norte-americano, Donald Trump. acusou na rede social Twitter os dirigentes de Moscovo e Riade de serem responsáveis pela queda de Wall Street e também criticou as “fake news”, expressão com que costuma designar a comunicação social que lhe faz críticas, sem dar detalhes.

A propagação do novo coronavírus com o agravamento do balanço nos EUA, onde já há registo de 22 mortos e mais de 500 casos de pessoas contaminadas, e no mundo continua a pesar sobre os investidores em Wall Street.

Segundo Alan Skrainka, da Krilogy, os investidores “vão ser sem dúvida mais prudentes nas suas atividades”, acrescentando que “a limitação das interações sociais vai conduzir a um declínio de setores como o das viagens e dos tempos livres, que se repercute no mercado acionista”.

Para responder ao pânico que se acumula nos mercados, a Reserva Federal (Fed) anunciou hoje que ia aumentar o montante que injeta todos os dias no mercado monetário, para um mínimo de 150 mil milhões de dólares.

Segundo a plataforma bolsista CME, 100% dos operadores de mercado estão à espera de uma nova descida das taxas de juro por parte da Fed por ocasião da sua reunião sobre política monetária, na próxima semana.

A Fed tinha surpreendido os investidores na semana passada, ao anunciar uma descida extraordinária de meio ponto percentual das suas taxas de referência.

Os grandes bancos norte-americanos estiveram entre os principais perdedores do dia, uma vez que uma descida das taxas de juro rói as suas margens: o JP Morgan perdeu 13,6%, o Bank of America 14,7% e o Citigroup 16,2%.

Por seu lado, a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional apelou para “uma resposta internacional coordenada” para atenuar o impacto económico da epidemia de Covid-19.

Sinal do nervosismo extremo dos investidores, o rendimento a 10 anos dos títulos do Tesouro norte-americano tem caído acentuadamente, fixando-se em 0,5716%, depois de ter atingido um mínimo histórico de 0,3137% na noite de domingo para segunda.

Mas os valores mais fortemente atingidos hoje foram os da fileira energética, com o subíndice do S&P500 que os integra a cair mais de 20%.

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