160 anos CISA – “Queremos que a CISA seja um marco fundamental nas crianças e jovens que por aqui passam”, afirma Marco Santos

0
34
DR

DR

No âmbito das comemorações dos 160 anos da Casa de Infância de Santo António (CISA), a instituição criou, em parceria com o Tribuna das Ilhas (TI), uma rubrica na qual entrevistou 11 ex-alunos e/ou colaboradores da mesma.
A terminar esta rubrica, o TI esteve à conversa com Marco Santos, atual presidente da direção da CISA.
Na instituição desde 2011, Marco Santos afirma que o intuito desta direção é preservar a história, os costumes e as tradições da casa adaptando-os à atualidade de forma a melhor beneficiar os alunos, crianças e jovens que por lá passam.

TI – Há quantos anos está à frente da CISA?
Marco Santos – Já me encontro na CISA desde 2011, primeiro no cargo de vice-presidente e desde 2015 como presidente.

TI – O que o motivou a aceitar este cargo?
MS – O facto de ser filho de pessoas ligadas ao ensino e de eu próprio ter um percurso profissional também ligado à área da educação há cerca de 21 anos e, nesse sentido, as potencialidades que a CISA oferece de inovação pedagógica, de desenvolvimento de projetos, de trabalho em equipa, de articulação sistémica, faz desta instituição um contexto aliciante na área da educação.

TI – Quando termina o mandato?
MS – Em dezembro de 2020.

TI – Tem intenções de voltar a candidatar-se?
MS – Devido ao acumular de funções, ser um cargo voluntário, torna-se por vezes muito difícil a coordenação e gestão de cenários, funções e papéis, em destaque os familiares. Penso numa agenda semanal, mensal… e não faço previsões a longo-prazo, mas reconheço que dada a exigência diária, é uma responsabilidade que deveria ser a tempo inteiro.

TI – Agora em relação à CISA. Como se encontra presentemente a instituição?
MS – Neste momento, a instituição diria que se encontra saudável e promissora. Tivemos muitas dificuldades no passado em relação à parte financeira que nos colocaram em causa o dinamismo no funcionamento da própria instituição. Todavia, com a ajuda do Governo Regional, que reconheceu a necessidade de intervenção, a presente situação encontra-se muito mais estável.
Também realço as diversas iniciativas e campanhas de solidariedade, particulares ou de empresas, que muito agradecemos.
Mesmo quaisquer problemas, e refira-se que têm sido abundantes, encaramos como oportunidades de questionamento e reformulação. Este aspeto exige uma permanente capacidade de abertura, flexibilidade e, por vezes, muita criatividade.
Em termos institucionais e de parcerias, gostaria apenas que se verificasse maior articulação entre serviços, mais concretamente no que concerne ao acompanhamento das menores acolhidas, maior articulação na intervenção sistémica, que numa abordagem multinível, visasse mais as medidas preventivas do que remediativas e por outro lado maior celeridade em termos comunicacionais.

TI – Quais são os principais constrangimentos vividos pela instituição?
MS – Tal como qualquer IPSS, apontaria a formação continua dos colaboradores, renovação de espaços e equipamentos. Temos um edifício remodelado em 1998, com algumas particularidades ao nível da sua funcionalidade e que necessitam de intervenção. Além disso, temos o ginásio da instituição, que decorrente do sismo de 98, continua a requerer intervenção, pese embora a abertura da Secretaria Regional da Solidariedade Social ou da Direção Regional da Solidariedade Social em intervir, não na total remodelação é certo, mas apenas a nível da estrutura das paredes e telhado. Neste momento, encontramo-nos em fase de auscultação de empreiteiros.

TI – Presentemente quantos alunos, internas e funcionários tem a instituição?
MS – Na creche, jardim de infância e primeiro ciclo, temos 179 crianças/alunos, 65 funcionários e 11 crianças/jovens acolhidas.

TI – A CISA tem também a parte de internato feminino. Que importância tem esta valência, quer para a instituição, quer para as utentes?
MS – Esta valência foi a razão da criação do então “Asilo da Infância Desvalida” primórdios do que hoje é a Casa de Infância de Santo António. Continua com essa missão, embora se tenha adaptado às transformações e exigências atuais.

TI – Considera que a instituição tem conseguido acompanhar e adaptar-se às necessidades e às exigências da sociedade atual, quer em termos do serviço prestado aos alunos, quer aos pais?
MS – Sem dúvida que sim, principalmente apostando na formação de crianças e centrada na qualidade das metodologias e relações que possibilitem ou facilitem aprendizagens. Quando olhamos para os resultados escolares em termos nacionais, vemos a disparidade de resultados que existe entre os níveis intermédios e superiores (e.g. os 3 e os 5). O facto de se verificar esta disparidade de resultados faz com a escola coloque em causa princípios fundamentais como o da equidade e igualdade, e outros princípios como o da inclusão, diferenciação curricular, flexibilidade, etc. Para nós estas questões são fundamentais e acho que estamos a oferecer uma resposta educativa globalizante e diferenciada, que vai muito de encontro ao documento do perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória.
É com base nesta visão que o nosso projeto educativo de escola se articula com estes princípios e como tal a CISA cumpre com o objetivo desta equidade e igualdade. Recorde-se que na história da CISA, tínhamos as jovens acolhidas e jovens que vinham estudar para cá (e.g. Pico e Flores), mas que todas, independentemente das suas origens ou meios socioeconómicos, tinham hipótese de ter uma educação promissora. Ainda hoje temos estes princípios nesta instituição, perdendo-se mais a designação de internos e externos e claro está tendo crianças, jovens ou alunos oriundos maioritariamente do Faial.
Nesta adaptação, não posso deixar de reforçar o esforço dos nossos colaboradores que têm sabido ajustar-se às exigências externas e mesmo internas, apesar do desgaste emocional que por vezes determinados acontecimentos impõem.

TI – A CISA celebra este ano 160 anos. O que tem mudado ao longo destes anos?
MS – Tentamos preservar os costumes, tradições, no entanto, não pretendendo fugir à história e identidade da própria CISA. Provavelmente mudou o perfil de colaboradores, o currículo, a participação parental, a abertura da própria instituição à comunidade.

TI – Que atividades promoveu a CISA para assinalar esta importante data?
MS – Iniciámos com a construção e distribuição de material lúdico-pedagógico, assinalamos ainda a rubrica mensal, em parceria com o Tribuna das Ilhas, a quem agradecemos a colaboração, com entrevistas-testemunho de ex-docentes/alunos e colaboradores. Também temos um evento comemorativo agendado para o dia 18 de janeiro, no Teatro Faialense, dia este que assinala o aniversário da instituição.

TI – No seu entender, que papel tem atualmente a instituição quer para as crianças quer para a sociedade faialense?
MS – Queremos sempre, e acho que será interesse das próximas direções, que a CISA continue a ser um marco fundamental nas crianças e jovens que por aqui passam e passarão, pelas relações significativas que aqui criaram, não esquecendo o “divertido de aprender”, mas também pela qualidade no acompanhamento que lhes possibilite, autonomia e integração profissional e social.

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO