A minha carta ao Pai Natal

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TI

Meu querido Pai Natal, esta é a primeira vez que te escrevo, decerto que vais achar estranha esta carta. E ainda por cima remetida por alguém que mora no meio do Atlântico, numa pequena ilha chamada Faial.
Escrevo-te para te dizer que na minha infância acreditava que existisses. Que tu, vestido de vermelho, com barbas brancas, entravas pela chaminé da nossa casa na noite de 24 de dezembro e deixavas no sapatinho de cada um as prendas que te tínhamos pedido, umas vezes em conversa com os nossos pais e outras em pensamento.
Recordo-me com emoção que, no final daquelas noites de consoada, em que o bacalhau com batatas cozidas e couves, regadas a azeite caseiro eram o prato principal, quase sempre sem esperar pelo bater das doze badaladas, tal era a ansiedade, abríamos os presentes que acreditávamos que tu nos tinhas deixado.
Por muitos anos assim pensei. Eram momento de família, de partilha, de reunião de familiares e entes queridos.
E hoje, já adulto, digo-te Pai Natal, continuo ilusoriamente a acreditar na tua existência, pois a magia que transmites, a fantasia e o espírito natalício com os quais inundas este período, não me levam a pensar de maneira diferente.
Por isso, perdoa-me, mas não podia deixar de te escrever, por uma única vez que seja. Não para te pedir presentes para mim, pois deixo isso agora para as nossas crianças às quais os olhos brilham quando ouvem o teu nome, mas sim para a ilha onde habito.
Eu sei que, nesse dia, tens o mundo inteiro para presentear, mas não te esqueças de nós. Se decidires usar o teu trenó para trazer os presentes, aviso-te que podes aterrar no aeroporto, mas tens que travar a fundo, pois a pista ainda não foi ampliada. Esse aumento já está no papel, mas faltam as verbas para a colocar em prática. Acreditamos em ti, Pai Natal, para nos presenteares este ano com essa alegria.
E se tiveres dúvidas em vir de trenó e quiseres viajar na nossa SATA, alerto-te que as reservas já deviam ter sido feitas com meses de antecedência, pois dificilmente arranjarás lugar no voo para esse dia, tal é o número reduzido de ligações e lugares disponibilizados. Por isso, Pai Natal, lembra-te de colocar no nosso sapatinho mais umas ligaçõezinhas e lugares disponíveis para a nossa linda ilha, um destino aprazível que muitos deixam de conhecer pela dificuldade em cá chegar.
Meu querido Pai Natal, se preferires o automóvel para chegar até nós, não penses em utilizar a Estrada Variante à cidade para ires para o lado Norte da ilha, pois a segunda fase também ainda não passou do papel e, de preferência, aluga um “todo o terreno”, há estradas um tanto ou quanto esburacadas. Mais uma vez te peço, traz-nos algo no saquinho, que melhore a nossa degradada e incompleta rede viária.
No entanto, Pai Natal, se optares pela via marítima, é melhor te informares atempadamente dos horários da Atlânticoline, pois depois do acidente do Mestre Simão também as viagens marítimas ficaram condicionadas. Não te peço um novo navio, pois esse já está a ser construído, mas sim que no Verão coloques mais viagens com o navio Gilberto Mariano entre o Canal.
E se ainda tiveres um tempinho extra, deixo-te o convite: a partir de janeiro, já podes visitar o Tribuna das Ilhas nas novas instalações no centro da cidade, no 1.º andar do n.º 28 da Rua Serpa Pinto, onde estará ao dispor de todos os que o queiram ler.
Despeço-me de ti Pai Natal dizendo-te que afinal, se calhar, a melhor opção será usares o teu tradicional trenó com as renas comandadas pelo Rudolfo…é mais fiável para chegares a tempo e a horas.
Reproduzindo as tuas palavras, aqui fica o nosso OH! OH! OH! FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO 2019 para ti, para os nossos leitores e para todos os Faialenses. 

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