2018, Ano Europeu do Património Cultural

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O Ano Europeu do Património Cultural surge em 2018 sob o lema “Património: onde o passado encontra o futuro”. Este Ano Europeu pretende incentivar mais pessoas a descobrir e explorar o património cultural da Europa e reforçar o sentimento de pertença a um espaço europeu comum. E o que é que isso tem a ver connosco, que vivemos nos Açores, no meio do Atlântico? Tudo.
A Europa é também aqui, não apenas em Bruxelas, na Alemanha, em França ou em Espanha. O património cultural influencia a nossa identidade e vida quotidiana. Reforça o sentido de pertença a esta Região e rodeia-nos nas vilas e cidades, nas paisagens, jardins e campos agrícolas. Não está circunscrito à literatura, à arte ou aos objetos expostos nos museus. Está igualmente presente nas técnicas que aprendemos com os nossos antepassados, nas histórias que contamos aos nossos filhos, nos pratos com que nos deliciamos e nos filmes que vemos e em que nos reconhecemos.
O património cultural pode assumir muitas e variadas formas. O património cultural material assume a forma de monumentos, edifícios, jardins, paisagens, obras de arte, artefactos, livros, vestuário e máquinas, por exemplo. O património cultural imaterial inclui práticas, representações, expressões, conhecimentos, competências – e os instrumentos, objetos e espaços culturais que lhe estão associados – valorizados pelas pessoas. Integra as línguas e sotaques, as tradições orais, as artes do espetáculo, as práticas sociais e o artesanato tradicional. O património cultural não deve ser deixado ao abandono e a sua deterioração e destruição devem ser evitadas. É por esta razão que em 2018 procuramos formas de o comemorar e de o preservar.
Nos Açores o património cultural material é riquíssimo, e está associado às práticas agrícolas, ao emparcelamento dos terrenos, ao aproveitamento das águas para abastecimento humano, por exemplo. Nas cidades e vilas as calçadas à portuguesa com os desenhos tradicionais, os largos e praças, os jardins e as igrejas fazem parte da nossa vida e das nossas memórias. Na linha de costa existem portinhos, pesqueiros, acessos ao mar e rampas de varagem que importa valorizar. Neste sentido, refiro como exemplo menos bem conseguido as obras que estão a ser realizadas na antiga rampa de varagem do porto da Madalena, no Pico. Num tempo em que as atenções e a comoção estão viradas para o Canal devido ao naufrágio do barco Mestre Simão, sinto-me mesmo muito aliviada por não ter havido perdas humanas mas em vez de um barco com poucos anos e que poderá vir a ser substituído lamento a perda da rampa de varagem antiga do porto tal como era, na sua integridade. Esta rampa, que foi palco de tantas aventuras e é um lugar de tantas memórias para picarotos e faialenses está agora a ser soterrada por betão, para construção de uma suposta beneficiação da Vila. O núcleo histórico da Madalena encontra-se ali, na Igreja de Santa Maria Madalena, nas casas solarengas que a rodeiam e na ligação com o porto, de que a rampa de varagem fazia parte. É pena que esteja a deixar de fazer.
Há, então, muito trabalho de sensibilização a fazer no sentido de se encontrar maneiras de valorizar o património existente e de o fazer brilhar na nossa paisagem. Para nós, para os turistas que nos visitam e acima de tudo para as gerações futuras. Ao trabalho, em 2018.

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