
A igreja de Nossa Senhora do Carmo é um magnifico templo religioso, cuja construção demorou quase um século (ficou concluída em 1797), localizado na Matriz num local sobranceiro à cidade da Horta, tendo sido o primeiro templo carmelita a ser edificado fora do continente português.
Este imponente imóvel, que não se encontra classificado, sofreu significativos estragos causados pelo forte sismo de 1998 – e já com anterior acentuada degradação – continua à espera da conclusão das obras de restauro iniciadas na década de 90 e nos primeiros anos deste século que nunca foram concluídas.
Atualmente a Capela dos Terceiros, anexada à igreja, encontra-se aberta ao culto, por iniciativa da Ordem Terceira do Carmo que assumiu os encargos do seu restauro, bem como da sala do capítulo, das salas anexas e da escadaria interior. Recentemente foi colocado um novo soalho na igreja, no quadro de um protocolo firmado para o efeito entre a Câmara Municipal e a Ordem Terceira.
A igreja de Nossa Senhora do Rosário, também referida e mais conhecia por Igreja de São Francisco, é um templo religioso franciscano de rara beleza (aberta ao culto em 1700), que se localiza na Matriz no centro histórico da cidade da Horta, integrando o património da Santa Casa da Misericórdia da Horta que a cedeu a título precário ao Governo Regional dos Açores em meados de 1977.
Este belo templo, que se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público, recebeu em várias épocas trabalhos de conservação e restauro sendo os mais recentes nos anos 70 e de 2000, estes últimos devido aos estragos causados pelo sismo de 1998.
Por os últimos trabalhos de restauro nunca terem sido concluídos este templo encontra-se fechado há mais de uma década devido à falta de condições.
Estes dois importantes templos que integram o rico património arquitetónico e religioso da Matriz, da cidade da Horta e da ilha do Faial, estão, assim, a carecer de urgente intervenção de fundo, cuja ausência tem agravado a sua degradação, muito por incompreensível falta dos necessários apoios financeiros governamentais.
A “recuperação das Igrejas do Carmo e de São Francisco” de há muito que surgem e desaparecem de sucessivos Planos Anuais de Investimento do Governo Regional, tendo nos últimos anos em relação a estas havido um apagão total. Vejamos:
Quando da apresentação e discussão do Plano Regional para 2009 na Assembleia Legislativa Regional, devido à falta de dotação inscrita para o objetivo “Recuperação das Igrejas do Carmo e São Francisco”, e perante a reivindicação dos faialenses, a responsável pelo setor assumiu que “ao longo deste ano se vai procurar criar condições para se avançar em 2010 com os projetos”, sendo a evolução anual seguinte a que se apresenta neste quadro:

O ridículo e condenável é observar que para além das parcas ou apenas simbólicas dotações inscritas, na maioria dos anos a sua execução ainda fica muito aquém destes valores ou mesmo sem execução alguma.
Por aqui se observa que tem faltado vontade politica para a necessária recuperação deste secular e valioso património da Ilha do Faial e dos Açores. Quando o governo regional faz gastos excessivos e sumptuosos em “obras do regime” de que é exemplo a “Casa da Autonomia”, para não dar mais exemplos, então aquilo que se está a fazer com as igrejas do Carmo e de S. Francisco é mesmo quase um crime de lesa-património.
Na requalificação e modernização de vários centros urbanos, em várias cidades ou vilas fora e dentro da região, têm sido criados vários equipamentos destinados à função de auditórios ou de centros culturais, modernos e funcionais, tanto em edificações de raiz como pela reabilitação de património edificado, público, militar ou religioso, de reconhecido valor histórico, sendo esta uma forma positiva de recuperar e de devolver à comunidade muito deste rico legado.
Tanto a igreja do Carmo como a de São Francisco, se forem recuperadas e com as possíveis adaptações oferecem excelentes condições não só para o culto religioso, mas também se para instalar o Museu de Arte Sacra (quase esquecido e de que tanto já se falou), ou um Centro Cultural (é reconhecida a excelente acústica da igreja de São Francisco), recuperando-se a dignidade integral destes valiosos templos, estancando a sua progressiva degradação, e colocando-os ao serviço dos seus titulares, da cidade e de quem nos visita.
Aos faialenses – às instituições e às suas forças vivas – também cabe conjugar esforços, juntar sinergias, e ajudar a criar motivação e meios para a recuperação das Igrejas do Carmo e de São Francisco.













