
Em Abril de 2010, quando o enrroncamento do novo molhe, do lado norte, se inverteu em relação ao que estava patente no projecto, para seguir na direcção daquelas bóias maquiavelicamente lançadas, deu logo para perceber que a nova doca, com aquela orientação, iria servir de alavanca ao mar de nordeste que, com toda a certeza, iria provocar grandes transtornos no porto velho e nas marinas.
Foi então que, na minha condição de cidadão independente e no uso das minhas obrigações e direitos de cidadania, resolvi expor algumas questões que me pareceram pertinentes sobre isso, em conversa telefónica, aos deputados do PSD, maior Partido da oposição no Parlamento Açoriano, Dr. Jorge Costa Pereira e Eng.º Luís Garcia.
A seu pedido, passei a escrito a conversa que tivemos e que abaixo transcrevo:
“Horta, 13 de Abril de 2010
Caro Eng.º Luís Garcia
Na sequência do meu contacto telefónico e conforme V/sugestão, remeto algumas preocupações que me assistem enquanto cidadão, relativamente às obras que ocorrem na parte norte da baía da Horta, partindo do princípio que sendo esta, por capricho da Natureza, a melhor enseada dos Açores, deve qualquer intervenção que para ela se projecte, obedecer a critérios de rigor absoluto, de modo a que se acrescentem às suas boas condições naturais, mais valias que transformem o Porto da Horta num porto ainda melhor do que tem sido até aos dias de hoje, uma vez que os meios tecnológicos e financeiros o podem permitir, se não se enveredar por caminhos economicistas, ausentes em obras de vulto noutras ilhas, que castrem as reais possibilidades da baía da Horta e o futuro desta “cidade-porto”, vértice de um triângulo ilhéu que se quer desenvolvido em toda a acepção do termo.
Assim e partindo do princípio que o projecto inicial foi alterado como se sabe, o que anula os testes laboratoriais pergunta-se:
1 – As obras que ora decorrem correspondem integralmente ao novo projecto ou são elas próprias, fruto de alterações introduzidas posteriormente, nomeadamente no que concerne à área da plataforma paralela ao leito da ribeira da Conceição, ao comprimento do molhe norte/sul, sua inclinação no sentido norte/oeste, que profundidades resultam dessas alterações e quais as implicações em termos de operacionalidade da nova bacia?
2 – Que testes laboratoriais foram feitos em relação ao novo projecto e às hipotéticas alterações introduzidas posteriormente e quais os resultados obtidos?
3 – Que implicações têm as alterações introduzidas, em termos de segurança e operacionalidade do porto comercial, das marinas e da zona de pescas vulgarmente conhecida por saco do porto?
4 – Face a essas hipotéticas alterações de condições de operacionalidade e segurança, que risco corre o porto da Horta de perder o bom nome que detém internacionalmente com todas as implicações que isso acarreta, nome esse que lhe tem sido granjeado pelos tripulantes dos milhares de iates que a ele têm aportado em crescendo há décadas?
Julgo serem estas perguntas pertinentes, no entanto, deixo ao vosso critério e à vossa experiência política tê-las em consideração ou não.
Penso que seria importante uma consulta ao projecto, aos testes laboratoriais, bem como fotografar da Espalamaca o molhe que ora cresce e cuja inclinação norte/oeste me parece venha a servir de alavanca ao mar de nordeste, acelerando-o em direcção ao saco do porto!
Com a minha estima e consideração, peço-lhe que aceite este meu abraço de faialense.”
A transcrição acima feita tem a ver com o facto das preocupações que levantei em 2010 acabarem por se concretizar, lamentavelmente, como ora se verifica e que só a cegueira mental não deixa ver.
É-me ainda lícito informar que o conteúdo da minha carta, foi, em parte, plasmado no requerimento de inquirição ao Governo feito pelos Deputados acima referidos, que, posteriormente, tiveram a hombridade de me remeter um CD bem elucidativo do duro debate que ocorreu entre eles e o então Secretário Regional da Economia, hoje Presidente do Governo Regional dos Açores, democraticamente eleito.
Ao que me informaram, o Governo respondeu ao documento de inquirição acima referido, que, em relação às questões nele levantadas estava tudo bem!
É o que bem se vê agora!
Horta, 22 de Dezembro de 2017.















