Há fantasias políticas que sobrevivem porque nunca foram testadas. São como romances não correspondidos: idealizam-se porque não se viveram. Portugal teve uma dessas fantasias históricas durante o PREC (Processo Revolucionário em Curso). De um lado, a democracia possível; do outro, a revolução imaginada. E, durante alguns meses, não foi evidente qual delas ganharia. O 25 de Novembro de 1975 foi esse momento de suspensão, a moeda no ar, e é sempre desconfortável admitir como o destino de um país pode depender de tão pouca física.
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