A Câmara da Horta não promove a Candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027?

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DR/TI
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Por: Aurora Ribeiro

Foi com alguma perplexidade que os agentes culturais do Triângulo se aperceberam de que a Câmara Municipal da Horta não se encontrava entre as entidades promotoras da candidatura de Ponta Delgada | Açores a Capital Europeia da Cultura 2027.
Como é que isto foi acontecer? Não sabemos. E por mais que nos perguntemos, não conseguimos encontrar nenhuma razão válida para tal. E como não encontramos nenhuma razão válida, partimos do princípio que é por não valorizarem suficientemente esta candidatura.
Ora sendo esta candidatura um dos gestos mais válidos alguma vez feitos pela cultura da região, irei neste texto salientar uma série de razões pelas quais qualquer Câmara Municipal da região, e em particular a Câmara Municipal da Horta, deveriam promover e participar ativamente neste processo.

1. As cidades que chegam a capitais europeias da cultura vêem a sua atividade cultural regenerada, internacionalizada, a sua imagem melhorada aos olhos dos próprios habitantes e atraem uma nova vida à cultura local, promovendo também o turismo.

2. Aquelas que, mesmo não chegando a ser capitais, participam numa candidatura de forma séria, irão usufruir das mesmas oportunidades e em particular da reflexão conjunta sobre o que são e o que podem vir a ser, e da construção de uma estratégia cultural de investimento continuado e de longo prazo, reforçada por um compromisso político que utlrapassa mandatos.

3. Embora a iniciativa se foque numa cidade específica, nada impede (antes pelo contrário) que toda a região e país de que essa cidade faz parte participem ativamente no processo, usufruindo também de forma muito direta das mesmas oportunidades.

4. A iniciativa Ponta Delgada | Açores Capital Europeia da Cultura 2027 manifesta claramente uma dimensão muito mais alargada do que a da própria cidade de Ponta Delgada. É uma candidatura que se define como regional, ao convocar e incluir os agentes culturais de todo o arquipélago, as diversas entidades de administração local estendida a toda a sociedade.
5. Uma candidatura a Capital Europeia da Cultura resulta também num mapeamento sobre o investimento, produção, mediação, usufruto, preservação e promoção da criação cultural e do património da comunidade que se candidata, num processo de consulta e participação de parceiros em diálogos locais, regionais, nacionais, europeus e também internacionais.

6. Os poderes políticos (onde se inclui o poder local, claro) só poderão ter uma política de cultura com nexo se tiverem acesso e participarem ativamente num levantamento sério do significado que a sua cultura tem dentro da região e fora dela, e uma candidatura a capital europeia da cultura é uma excelente oportunidade para esse efeito.

7. Desconhecer a realidade cultural faz com que as medidas e políticas culturais existentes muitas vezes não beneficiem o setor ou, pior ainda, desinvistam progressivamente naquilo que pretende como uma cultura rica, diversa, dinâmica e viva.

8. Ao não promover esta candidatura, a Câmara Municipal da Horta está a desinvestir na cultura do seu concelho, a afastar-se deste processo de auto-conhecimento que procura encontrar novas soluções e formas de atuar.

9. Ao desvincular-se do processo, a Câmara Municipal da Horta está a levantar limitações à sua própria participação e intervenção na candidatura, na programação e na estratégia política que desta candidatura resultará, dizendo não às oportunidades daí advindas.

10. Não estamos a falar de longínquas oportunidades futuras. O ano de 2027, afinal, já começou com o arranque deste processo, as pontes estão a ser feitas e a Câmara Municipal da Horta está a deixar-se ficar para trás. A pergunta é: porquê? A resposta, infelizmente, é desconhecida.

É de salientar que na ilha do Pico, os três municípios já são parceiros da iniciativa, enquanto que a não participação da Câmara da Horta leva o poder local da ilha do Faial a ficar de fora deste projeto regional.

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