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Professor Tomaz Garcia Duarte, “um verdadeiro homem de bem”

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Diplomado em 1919 pela Escola Normal da Horta, o professor Tomaz Garcia Duarte, apesar da sua modéstia, foi figura dedicada ao serviço dos mais pobres nas ilhas do Faial e do Pico.
Nasceu na freguesia dos Flamengos a 9 de Agosto de 1896, filho de “José Garcia Duarte, professor do ensino primário complementar e de Ana Teodora Clementina Goulart que se empregava no governo doméstico, naturais e paroquianos” daquela freguesia, “onde foram recebidos e moradores na rua da Praça”1 .
Feito o ensino básico, estudou no Liceu da Horta (1ª matrícula em 1909) e, em 1916 entrou para a Escola Normal, nela se diplomando três anos depois. Ali se distinguiu como um aluno brilhante, pois dos 36 finalistas do seu curso de magistério só ele e a colega Ema da Conceição Noia de Medeiros obtiveram a nota máxima de 20 valores.
Jovem professor, Tomaz Garcia Duarte iniciou a vida profissional no Pico. Aí casou, na igreja paroquial da Madalena com Albertina Rodrigues Ferreira no dia 29 de Setembro de 1921. Leccionou em várias escolas daquela ilha, designadamente na Terra do Pão e nas Bandeiras, aqui vivendo vários anos das décadas de 20 e de 30. Mais tarde veio para o Faial, sendo professor na escola da Matriz, transitando depois para oficial administrativo da Direcção Escolar da Horta.
Foi pai de seis filhos, todos nascidos no concelho da Madalena: José Francisco Ferreira Duarte (n.1922), Francisco Ferreira Duarte (1924), Tomás Garcia Duarte Júnior (1926), António Ferreira Duarte (1932), Urbano Ferreira Duarte (1934) e Manuel Ferreira Duarte (1936). Já são todos falecidos, mas alguns deles deixaram memória destacando-se, a par da sua vida profissional, em relevantes actividades culturais, desportivas e sociais.
Ainda recentemente a Escola Manuel de Arriaga homenageou António Duarte, professor, político e ensaísta cultural, dando o seu nome ao auditório daquele estabelecimento de ensino, estando desde há anos lembrado na toponímia da cidade da Horta e no Centro de Trabalho do PCP.
Manuel Duarte, telegrafista e homem de letras, foi publicista e deixou editado o livro “A Banda Nova e outras histórias”, prefaciado pela consagrada escritora Natália Correia.
Tomás Duarte, destacou-se pelos muitos cargos públicos que exerceu em clubes e sociedades, culminando no de secretário regional de Transportes e Turismo e no de deputado à Assembleia Legislativa dos Açores, eleito pelo círculo do Pico. Os seus esforços para uma cada vez maior união destas duas ilhas irmãs – o Pico onde nasceu e o Faial onde estudou e desempenhou as mais altas funções administrativas, culturais e políticas – jamais serão esquecidos e estão perpetuados numa das últimas publicações, precisamente intitulada “A Comunidade do Canal”. Outros livros nos legou, alguns deles resultantes de palestras e conferências que pronunciou com certa frequência: “Horta em meados do século XIX”, “São Mateus, cinco séculos depois”, “Nasceu para ser grande”, “Criação Velha, paróquia e freguesia em 1799”, “O Concelho da Madalena – subsídios”, “O culto do Espírito Santo”, “A Matriz da Madalena e três dos seus padres”, “Dr. Urbano Prudêncio da Silva” e o mais profundo e mais conseguido de todos, “O Vinho do Pico”. Aliás, a constituição do Museu do Vinho, a Festa das Vindimas, a preservação dos maroiços, e, sobretudo a classificação pela UNESCO da Paisagem da Vinha do Pico como Património Mundial da Humanidade, foram algumas das suas principais iniciativas.
Ao contrário destes filhos, o professor Tomaz Garcia Duarte, não deixou obra escrita e a sua figura modesta não indiciava a grandeza do seu espírito e a bondade do seu coração. Aposentou-se em 1961 do cargo de 3.º oficial da Direcção Escolar do Distrito da Horta, tendo sido homenageado pelos colegas de serviço que, nas palavras de director professor João Bettencourt, lhe reconheceram “nobres qualidades, que lhe permitiram granjear a estima e a consideração de todos”. Apesar de profissionalmente reformado, o professor Tomaz Duarte continuou ao serviço dos outros, sobretudo dos mais pobres e desprotegidos, sendo empenhado animador da Conferência de São Vicente de Paulo da Paróquia da Matriz e trabalhador incansável na instalação e desenvolvimento da Casa do Gaiato do Faial.
Faleceu a 10 de Novembro de 1972, após prolongada doença sofrida com a maior resignação cristã. Os diários locais então existentes – “O Telégrafo” e o “Correio da Horta” – noticiaram o óbito e o funeral, registando que “pela sua ilustração, dotes de bondade e educação, era individualidade muito estimada no nosso meio, sendo um incansável amigo dos pobres”2 . Também o semanário Vigília da paróquia da Matriz ao assinalar a sua partida “para casa do Pai”, lembrou que “por onde passava o seu testemunho construía e edificava”, sendo “um devotado amigo dos pobres, um incansável obreiro da Casa do Gaiato, um vicentino zeloso, um carmelita convicto” enfim, “um verdadeiro homem de bem, um verdadeiro cristão (…)”. O director da Casa do Gaiato, Pe. Adriano do Coração de Jesus, escreveu em “O Apóstolo da Rua” que “jamais acabará a nossa gratidão por quantos nos dão as mãos nesta caminhada para Deus até ao dia do grande encontro”, porque “o céu levou para Ti aquele que na terra trouxe nos braços os primeiros meninos da nossa casa”, ele que “em todos os dias da sua vida diligenciava pela manutenção desta Casa que era a pupila dos seus olhos”. E o Pe. Adriano finalizava garantindo que, “do altar, imploramos a luz perpétua para a alma do nosso grande amigo – professor Tomaz Duarte”

(O autor escreve segundo a antiga ortografia)

1 Livro de Baptismos dos Flamengos nº 14 (1892-1902) assento nº35, fl.84-v
2 O Telégrafo, 12 Novembro 1972

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