A Descoberta da Pólvora e as evidências

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1- Temos vindo a assistir, nos últimos tempos, e fruto da época eleitoral que atravessamos, uma tentativa escandalosa de se querer fazer parecer que se pensa. Parece que, de repente, e querendo fazer esquecer o que os outros fizeram ou disseram, faz-se crer, procura-se fazer crer, que, até aqui, nunca ninguém pensou. E isso viu-se, recentemente, em duas das medidas anunciadas pelo deputado candidato à Presidência da Câmara Municipal da Horta. Bolsas de Estudo para quem vier para a ilha estudar, e um Plano de Desenvolvimento para a Ilha do Faial. Pois, a bem da verdade, está há muito previsto e anunciado, a celebração do Protocolo com o DOP, minutas prontas a assinar, com o objetivo de apoiar alunos de mestrados a instalarem-se na nossa ilha. De igual modo, e bem divulgado, está o PIRUS, Plano Integrado de Regeneração Urbana Sustentável da Cidade da Horta, onde foram auscultadas as principais forças vivas locais (12 entidades) e foi elaborado um inquérito de satisfação à população residente (200 inquéritos), refletindo também as preocupações elencadas pelas forças partidárias e principais associações locais, no âmbito da consulta efetuada para o desenvolvimento dos termos de referência do plano estratégico do município da Horta. Um plano que continua aberto à participação da sociedade civil, não estático, que visa revitalizar a cidade da Horta, e onde estão inseridos os vários investimentos previstos pela autarquia para a cidade da Horta até ao ano 2020, onde estão identificados 26 projetos integrados no PIRUS, representando um investimento municipal de 6 milhões de euros. Procurando manter-se afastado de um dos partidos que o suporta, neste caso, o PSD, depressa aprendeu Carlos Ferreira a fazer de conta que até aqui ninguém pensou a Ilha do Faial, recusando-se a reconhecer o trabalho feito, apenas e só porque não foi feito pelo partido ou partidos que o apoiam. Discordar da forma como se faz é uma coisa, fazer de conta que nada se fez, isso já é outra.

2- Outro excelente exemplo dessa rápida aprendizagem foi o aproveitamento, maldoso diria eu, feito com o recente cancelamento, em virtude de uma avaria, do voo Horta-Lisboa, na passada semana. Ora, cabe na cabeça de alguém vir propor uma posição supra partidária sobre um problema, que o é, um problema que a todos diz respeito, que a todos afeta, que tem merecido de todos uma posição unânime, Partidos Políticos, Assembleia Municipal, Conselho de Ilha inclusive, sem que sequer se procure falar com todos os outros partidos ou intervenientes? Não aprendeu o deputado candidato a Presidente da Câmara que não é assim que se tratam as questões? Contatou, previamente, o Presidente do Conselho de Ilha? Contatou, previamente, qualquer um dos Conselheiros do órgão? Não lhe bastou o exemplo, com a mesma tentativa, na altura, enquanto candidato a Deputado, que lhe valeu ficar a falar sozinho, sem ter merecido sequer resposta de alguns dos outros partidos políticos? O que interessava, afinal, era o aproveitamento de uma situação incómoda, inesperada, chata, que não sendo normal, resultou de uma avaria. O Suprapartidarismo só é sério se envolver os demais intervenientes, previamente, só é verdadeiro se, na realidade, procurar consensos, não é fazendo filmes e acompanhado apenas de um dos partidos que o apoia e da comunicação social, é claro, que se trabalha e se obtém decisões suprapartidárias.

3- E no que diz respeito à comunicação Social da Ilha, escrita, radiofónica ou televisiva, se dúvidas houvesse, e poucas, de facto, existiam, elas ficaram total e completamente esclarecidas em algumas das últimas posições, artigos, reportagens, ou disponibilidades, quanto às tendências políticas, legítimas suponho, dos seus responsáveis, sendo que são muitos os leitores que consideram que os jornais locais pouco diferentes são de alguns boletins informativos ao serviço de alguns partidos, havendo mesmo outros que acusam, ou pelo menos suspeitam de favores e negócios familiares, em troca de espaços de intervenção, em momentos pré eleitorais. E tal como se diz, e bem, “À mulher de César, não basta ser honesta é preciso parecer honesta”.

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