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A mesma base, diferentes atitudes

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Os Açores são constituídos por nove economias frágeis, onde qualquer investimento gerador de riqueza e emprego, em qualquer área, é importante, sendo muitas vezes motivador de sinergias, quer pelo estabelecimento de famílias, quer de serviços correlacionados, gerando-se confiança e, com esta, mais atividade, mais vida, e por aí fora.

O oposto, isto é, o desinvestimento, acarreta os efeitos contrários e consequentemente gravosos para a nossa dimensão. Temos, assim, menos circulação de dinheiro na economia e, o mais grave, o primeiro impacto, o desemprego gerado, que por vezes desestrutura famílias, causa desmotivação pessoal e social, e origina nalguns casos climas que tornam inviáveis outros projetos, havendo assim desemprego por via direta e por via indireta.

Nas nossas ilhas, criar emprego que venha colmatar o encerramento duma unidade, industrial, comercial ou de serviços, por motivos de insolvência, deslocalização ou outra, com a perda de dezenas, e nalguns casos centenas, de postos de trabalho é uma autêntica bomba atómica, pois a geração de emprego na Região é por diversas razões muito difícil e será, em qualquer caso, sempre lenta, acarretando todos os males enunciados.

Assim, os lugares, os concelhos, as ilhas que sofrem com este tipo de fenómeno, devem merecer uma atenção particular por parte dos governantes, quer ao nível regional, quer ao nível municipal, uma atenção de emergência, como se duma catástrofe natural se tratasse e, sendo necessário, devem contar com os esforços daqueles para colmatar os efeitos negativos da calamidade.

Foi, pois, com agrado que assisti às declarações de preocupação do novo Presidente do Governo Regional relativamente ao impacto que o desinvestimento em recursos humanos na Base das Lages teria na ilha Terceira e nos Açores, pretendendo efetuar esforços não só junto do Primeiro-Ministro e do Presidente da República, como também junto das forças americanas, na medida em que tendo tido proveitos na utilização da Base, deverão, de alguma forma, apresentar uma solução de minimização e de compensação pelos impactos.

Contudo, há nesta atitude um aspeto que me desagradou profundamente, e não foi o facto do senhor Presidente do Governo não ter, nem ele, nem o seu Governo, soluções para colmatar esta grave situação e tentar empurrar o ónus de estancar esta ferida para fora da esfera da autonomia. Foi o facto de o Faial também ter vivido situações semelhantes e não ter sido tratado desta forma.

Sim, o Faial sofreu a mesma consequência com o fecho da Cofaco e da Estação Radio Naval, foram centenas de postos de trabalho que desapareceram, que percentualmente tiveram um impacto semelhante na economia local, sendo menos uma indústria, menos um serviço, instalado na ilha há cerca de oitenta anos, com a consequente diminuição de compras no comércio e serviços, com a redução de pessoal qualificado, menos habitação e uma maior dificuldade para o superar, pois é uma economia menor.

O que é diferente é a atitude com que se pretende tratar o problema, havendo por um lado a intenção de compensar, ganhar ainda direitos, mais-valias que minimizem o impacto, ou que se gere alternativas, como seja a utilização da Base para outros fins, ou outros concessionários; na Horta a atitude foi Come e cala-te, ou melhor, não come e não fala!

A Horta ficou, assim, com menos uma indústria e ganhou um edifício na zona baixa da cidade com milhares de metros quadrados ao abandono, não embelezando uma das mais belas baías do mundo, a qual assiste aos atuneiros estrangeiros a laborar nas nossas barbas… mau de mais no contexto em que vivemos.

E o Município da Horta não pode ficar impune nesta situação, pela falta de proatividade, na altura, junto do Governo Regional em fazer exigências e finca-pé, em exigir a necessária compensação pelos postos de trabalho que desapareceram, e ainda ficará mal na fotografia se agora não reivindicar ao Governo o mesmo tratamento, e que se atue naquela zona, com a criação de emprego.

Tendo em conta que o funeral da Estação Radio Naval da Horta só será para janeiro próximo, sendo um assunto bem atual, contemporâneo do da Base das Lajes, deve o Município da Horta, baseado na atitude do Presidente do Governo, exigir compensações pelo esvaziamento do Faial de centenas de consumidores e geradores de muita riqueza.

Na verdade, a base do problema é a mesma e não pode ter atitudes diferentes, a bem da igualdade e da equidade que o Faial merece.

 

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