
A cidade da Horta sempre foi, e ainda é, o principal núcleo comercial da ilha.
Em abril de 1959, o Sr. José Ferreira Machado – depois de vários anos como empregado nos Grandes Armazéns Faialenses (hoje a loja Macau) que foi um dos principais estabelecimentos comerciais dos Açores, mas nesse tempo já com alguma decadência – abriu um novo estabelecimento comercial com o nome de NOVI, na rua Serpa Pinto, com tecidos, malhas, retrosaria, e onde pontificava a grande novidade: o “pronto a vestir” que, à escala universal, surgia como grande evolução e forte expansão no campo da moda, que marcou a década de 60 e seguintes.
O Sr. Machado, como vulgarmente é conhecido, para o seu tempo foi um visionário e astuto comerciante – hoje dir-se-ia tratar-se de um grande empreendedor – pois cedo percebeu que devido à tragédia da erupção do Vulcão dos Capelinhos, ocorrida entre 1957 e 1958, e ao grande surto de emigração, principalmente para a América, para um grande número de sinistrados que perderam todos os seus bens, no Faial era o tempo de “vestir para partir”.
A partir daqui tanto a NOVI como o pronto a vestir tiveram larga expansão no mercado local e dos iniciais estabelecimentos generalistas houve a evolução para as lojas especializadas que passaram a oferecer produtos de melhor qualidade ou de marcas de prestígio.
O Sr. Machado, pessoa com larga experiência comercial, foi um comerciante dinâmico e arrojado que foi investindo e diversificando a atividade comercial da NOVI que em 1965 abriu um novo estabelecimento com sapataria e camisaria, tendo mais tarde, no decorrer de 1976, aberto uma nova loja de mobílias, decoração, eletrodomésticos e artigos para o lar.
Um dos maiores e mais arrojados sonhos do Sr. Machado que se tornou realidade foi a inauguração no final de 1976 de um grande edifício com rés-do-chão e quatro pisos – construído de raiz, ainda hoje um dos mais altos da cidade, com elevador, cuja construção teve inicio em meados de julho de 1974, nos conturbados anos da Revolução de Abril – onde centralizou nos vários pisos, diversificou e melhorou a oferta do pronto a vestir para homem, mulher e criança, da sapataria e camisaria, e dos artigos confecionadospara o lar – o que para a altura corresponderia ao conceito que hoje se denomina de grande superfície comercial – alargando a clientela à vizinha ilha do Pico que regularmente procurava o novo estabelecimento comercial, que chegou a ser uma referência na região.
Como curiosidade a NOVI comercializou vários outros produtos como brinquedos, plásticos, palhas, produtos químicos para limpezas, produtos alimentícios (salvo o erro Ovomaltine), incluindo até uma representação farmacêutica “os laboratórios Laquifa”, artigos para campismo e náutica, artigos para desporto, não deixando ainda de experimentar novas formas de comercialização como a venda ambulante pelas freguesias rurais.
Das curiosidades pode-se dizer ainda que a NOVI teve o seu próprio atelier de costura essencialmente para as emendas do pronto a vestir, realizou em 1977, na Sociedade Amor da Pátria a primeira passagem de modelos da ilha, participou nos primeiros desfiles de carros alegóricos da Semana do Mar, obteve vários prémios em exposições comerciais e concursos de montras, realizou exposições de artigos para campismo e náutica no pavilhão do Faial Sport Clube, sorteou pelos seus clientes viagens à Madeira (para 2 pessoas) e automóveis. Em 1981 abriu a primeira discoteca da cidade para venda exclusiva de discos e material de som – tendo feito em 1986 uma exposição destes produtos na Sociedade Amor da Pátria – criou o cheque compras para facilitar nas ofertas e o cartão cliente para fidelização e oferta de bónus para a sua larga clientela, tudo coisas que hoje são vulgares mas que ao tempo foram inovadoras.
A NOVI também empregou um significativo número de pessoas, chegando a ter 18 funcionários, alguns com largos anos de permanência. Em 1977 foi constituída a sociedade José Ferreira Machado, Lda. pela cedência de quotas do fundador da NOVI aos filhos e a dois dos seus mais antigos empregados nos quais eu me incluía.
Em 1993 foi feita uma divisão da sociedade e mais tarde, no final de 2013, cessou a atividade de mais de cinquenta anos a original NOVI.
O Sr. José Ferreira Machado, pessoa respeitada, humilde e de fino trato, foi um influente comerciante do seu tempo, tendo desempenhado também vários cargos sociais, nomeadamenteo de Presidente da Direção da Câmara do Comércio e Industria da Horta e de Presidente do Rotary Club da Horta.












