A oeste… nada de novo

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TI

1. Desde pequenino aprendi que a mentira tem sempre perna curta. Mais cedo ou mais tarde, o valor supremo da verdade acaba sempre por se revelar e impor.
Todos se lembram das declarações do Presidente da SATA, logo secundado pela Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas, sobre as razões que levaram a SATA a diminuir o número de ligações ao aeroporto da Horta neste verão IATA. Juraram os dois, à Comunicação Social e acho que também aos deputados da Região, que a decisão sobre o número de ligações numa rota dependia da sua ocupação no ano anterior. Logo, a conclusão parecia óbvia: a SATA reduzia voos na Horta porque a taxa de ocupação do ano anterior seria baixa, tão baixa até que justificaria tirar um voo de Lisboa e realizá-lo para o Pico, como aconteceu!
2. Ora, acabamos de ter conhecimento dos números oficiais de 2017, da SATA, relativos à ocupação dos voos nas rotas das Obrigações de Serviço Público (Santa Maria, Pico e Horta), que estão disponíveis no site da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores em http://base.alra.pt:82/Doc_Req/XIreque402.pdf.
E o que verificamos?
a) Que em 2017 na rota de Santa Maria/Lisboa/Santa Maria se realizaram 200 voos, com uma taxa de ocupação de 56%;
b) Que no mesmo ano na rota do Pico/Lisboa/Pico se realizaram 263 voos, com uma taxa de ocupação de 74%;
c) Que em 2017 na rota Horta/Lisboa/Horta se realizaram 650 voos, com uma taxa de ocupação de 75%.
3. A conclusão é evidente e imediata. Nestas três rotas, a Horta é a que apresentou, em 2017, a mais alta taxa de ocupação, e isso acontece numa operação que representa, em termos de número de voos, mais do que as outras duas rotas juntas.
Então, face a estes números, como se justifica a redução dos voos na Horta? Então é a rota da Horta a que apresenta a mais alta taxa de ocupação e é nela que a SATA e o Governo cortam voos? Dá para entender?
4. A cada passo, a cada mentira, a cada manipulação dos números, a cada justificação falaciosa, mais fortaleço a minha convicção de que esta Administração da SATA e este Governo querem, à força, reduzir a atratividade do Faial e do Triângulo, pela via da asfixia das acessibilidades, negando ao aeroporto da Horta o papel que lhe cabe nas ligações com as outras ilhas e com o exterior da Região e transformando a SATA num dos veículos dessa estratégia que, para mais, divide para reinar.
Tudo isto que está a ser feito não é obra do acaso!
E para começo de conversa ficamos cientes, de que quando a SATA e o Governo dizem que planeiam a sua operação com base nos resultados do ano anterior é uma falácia agora comprovada e de que já se suspeitava. Falta é saber a sua dimensão, pois só conseguimos saber das rotas de serviço público. Mas certamente seria muito instrutivo e revelador sabermos as taxas de ocupação de muitas outras rotas que a SATA e o Governo abençoam, mas das quais guardam as taxas de ocupação em grande segredo…
Enfim: acompanhando o título do notável romance de Erich Maria Remarque, “A Oeste [isto é, da SATA e do Governo quanto ao Faial] nada de novo”. 
11.06.2018

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