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A propósito do fim das obras no Hospital da Horta

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1 Realizou-se na passada semana a cerimónia que marcou a conclusão oficial e a entrada em funcionamento da obra de remodelação e ampliação do Hospital da Horta, que ficou conhecida por “Bloco C”.

Num investimento final que rondou os 14 milhões de euros, as obras agora concluídas permitem, no seu conjunto, melhorar os Serviços de Obstetrícia e de Ginecologia, o Bloco de Partos, o Serviço de Pediatria, o Serviço de Fisiatria, o Serviço de Sangue, as consultas externas de Oftalmologia e Otorrinolaringologia, o serviço social, o serviço de informática e os serviços administrativos daquela Unidade de Saúde.

A cerimónia oficial ficou marcada pelo discurso do Presidente do Governo Regional que anunciou aquilo que já se conhecia da Carta Regional de Obras Públicas, isto é, que a segunda fase das obras no Hospital da Horta está prevista para o segundo semestre de 2015. Explicitou aquele governante que “esta segunda fase inclui a construção de uma nova Unidade de Cuidados Intensivos, a ampliação dos Serviços de Urgência, do Serviço de Diálise e da Consulta Externa, assim como o realojamento do Serviço de Medicina Hiperbárica, espaços considerados essenciais na evolução das capacidades e operacionalidade deste hospital. 

No âmbito deste processo, está em fase de adaptação do projeto a passagem dos Serviços do Centro de Saúde da Horta também para a nova ala a construir neste edifício. 

Com esta transição, garantem-se melhores condições de funcionamento e uma interação efetiva entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares, com grandes vantagens para os utentes e para um processo contínuo de melhoria das condições de prestação de cuidados de saúde.”

Foi aqui que residiu a grande novidade trazida por Vasco Cordeiro: fazer deslocar o Centro de Saúde da Horta para uma nova ala do Hospital da Horta!

À primeira vista, a um leigo na matéria como eu, parece ser uma decisão razoável, lógica e boa na perspetiva do utente. Mas só o tempo esclarecerá na totalidade o que se pretende fazer, como se vai implementar na prática essa decisão, como vão ser envolvidos no processo os profissionais de saúde e a Administração do Centro de Saúde da Horta, para, só então, se poder avaliar na sua plenitude tal intenção.

2 A grande satisfação de vermos este investimento concretizado não deve, porém, fazer-nos esquecer a exasperante lentidão do processo que agora chegou ao fim. Afetadas pelo sismo de Julho de 1998, foi preciso chegar-se a 2014 para ver as instalações do Bloco C recuperadas. Convenhamos que foram muitos anos de promessas e enganos para se esquecerem, agora, num ápice, por muito boa que a obra seja, e é!

3 Por outro lado, é também importante recordar que o anterior Conselho de Administração tudo tentou para, aproveitando as obras do Bloco C, promover uma intervenção em outras áreas de funcionamento do Hospital, melhorando significativamente a qualidade do serviço e adaptando a sua resposta às necessidades do tempo presente.

O Governo Regional recusou a realização dessas importantes obras na mesma empreitada, remetendo-as para uma segunda fase, agora anunciada para 2015. Para além do tempo perdido, e como a seu tempo vamos poder verificar e contabilizar, haverá custos acrescidos para o Erário Público pois, ao fasear-se a obra (e, ainda por cima, para fases que distam apenas cerca de um ano), perdem-se todas as economias de escala advenientes da construção em conjunto. 

E, para início de contas, registe-se, para já, estes dados: as obras do Bloco C foram postas a concurso por cerca de 15 milhões de euros; a proposta vencedora do concurso foi de cerca de 11 milhões de euros; e a obra teve um custo final de cerca de 14 milhões.

4 Finalmente, mas muito mais importante: a questão dos recursos humanos, nomeadamente dos especialistas em falta para o Hospital da Horta. Aqui as palavras do Presidente do Governo souberam claramente a pouco: informou que “está a terminar o processo de contratação de dois ortopedistas”, e que estão a trabalhar “para assegurar a substituição dos médicos que estão próximos da idade da reforma, por exemplo, nas áreas da Cardiologia, da Oncologia e da Imunohemoterapia.” Mas, por exemplo, sobre Ginecologia, Nefrologia, Urologia e Pneumologia (áreas onde o recurso a médicos especialistas de outras unidades de saúde que se deslocam à Horta para prestar serviço, em vez de ser uma solução transitória e pontual, está a adquirir contornos de persistência e até de alargamento), sobre isso o Presidente do Governo nem uma palavra disse.

Sabemos que as soluções não são fáceis. Sabemos que a Administração espera poder contar com alguns quadros que estão presentemente em formação. Mas, exatamente porque não é fácil a solução, de há muito defendemos que devia haver uma agressiva política de recrutamento de pessoal médico jovem para o nosso Hospital que o viabilize e lhe garanta a manutenção e o reforço não só das suas especialidades, mas também do papel que lhe cabe no sistema regional de saúde. Sem isso, recrutar especialistas para um Hospital da periferia como o nosso será sempre uma lotaria e um ato de fé na força que o apego à terra de nascimento poderá vir a exercer em alguns dos nossos filhos! 

 

25.08.2014

 

 

 

 

 

 

 

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