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A Propósito do Plano e Orçamento para 2012

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Todos concordamos que não devíamos ter cortes nas nossas remunerações no próximo ano.

Todos defendemos que não é justo o cidadão pagar pelo estado em que alguns maus governantes, que não geriram ou não gerem as contas públicas como sendo suas, têm vindo a deixar o país.

Todos pensamos que a impunidade que tem reinado em Portugal facilitou – e muito! – o percurso dos responsáveis , não apenas políticos como é comum criticar, mas de outros sectores da vida pública, designadamente da administração do país e dos seus beneficiários. E se os seus beneficiários (refiro-me aos administradores que lesam o bem comum e como recompensa auferem de reformas escandalosamente altas) não fossem tão beneficiados, beneficiando-se em causa própria – passe o pleonasmo – não estariam os não beneficiados do sector permissivo dos abusos e os que ainda acreditam na gestão ética, legal, moral e exemplar da coisa pública a debater estes assuntos com tanta paixão e com tanta propriedade.

Neste momento de grande turbulência dos mercados e dos países, em que nos entra pela vida adentro em cada dia uma ou mais más notícias, creio que todos temos o direito à indignação, mas ao mesmo tempo, à esperança.

É que a indignação serve apenas como desabafo mas não vai alterar nada do que está feito nem as decisões da troika. A esperança vai permitir-nos continuar a lutar durante esta travessia tumultuosa e penalizadora para a maior parte dos cidadãos e cidadãs. Precisamos, para além desse espírito de perseverança e de determinação, de outra qualidade preciosa que nos clarificará o pensamento de modo a não cometer a injustiça de avaliar uns pelos outros: o discernimento.

O discernimento diz-nos que não podemos ter sol na eira e chuva nas couves – senso comum que o mais desavisado dos cidadãos entende e segue, escolhendo, quando lhe é dada opção, ou o sol na eira ou a chuva nas couves. Ou seja, ou vamos dar prioridade ao apoio aos cidadãos e às pequenas empresas em dificuldade, mas sem cair no desinvestimento e mantendo o equilíbrio das finanças públicas que nos deu a credibilidade respeitável de que os Açores usufruem ou vamos aumentar o orçamento destas ilhas e colocar-nos em situação de risco que, mais cedo ou mais tarde, vai sair mais cara a todos.

O governo dos Açores fez o orçamento que tinha de fazer para manter o equilíbrio e para ajudar os que necessitarem de ajuda. Se hoje pode acudir às famílias e às empresas é porque soube gerir bem os recursos de que dispôs nos últimos anos. Nos Açores e no Faial temos construído o que podemos construir, com os recursos que temos e sem comprometer o futuro. É bom que continuemos assim, equiponderados, sem resvalar para a irresponsabilidade de quem se deslumbra e sem derrapar para o negativismo de quem desiste.

É importante o governo não deixar ninguém para trás e é importante que as açorianas e os açorianos não se deixem ficar para trás. Atitude, de todos os quadrantes, é o que se exige. Uma atitude serena mas combatente, atenta mas cooperante. Mobilizemo-nos todos, conscientes, inequívoca e firmemente entregues à causa de dar o nosso melhor pela solidariedade e pela cidadania.

 

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