A segunda volta da pandemia e da Volta a França em Bicicleta

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1. Há alguns meses que os especialistas nos alertam para o surgimento de uma segunda onda pandémica. Surgimento esse que poderia acontecer logo após o verão. Tinham razão.
Por todo o mundo, por esta altura, tem-se assistido a um crescimento exponencial das pessoas infetadas com a SARS-CoV-2 e de mortes causadas por este vírus.
É isso mesmo que podemos constatar no mapa do mundo concebido pelo Centro para Sistema de Ciência e Engenharia da Universidade de Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Trata-se do mapa da infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 mais popular que existe, sendo consultado diariamente por mais de 1000 milhões de pessoas.
Além de proceder a uma atualização constante do número de casos, mortes causadas pelo vírus e ainda pacientes recuperados, este mapa também exibe os territórios mais afetados pelo surto e permitir perceber como está a evoluir o combate ao surto de Covid-19.
E aqui verificamos que os Estados Unidos, apesar de ali não se notar ainda o aparecimento de uma segunda vaga, continuam a liderar não só no número de mortes causadas por este vírus, ultrapassando as 200 mil mortes, mas também no número de casos confirmados, atingindo agora mais de 6 milhões e 800 mil.
Isto ao contrário da vizinha Espanha onde a segunda vaga apareceu em força, pelo que face ao aumento exponencial diário de casos, o Governo já decretou o confinamento parcial de Madrid, restringindo a mobilidade ao que é essencial. Também no Reino Unido a segunda onda da Covid-19 já é uma realidade, obrigando o Governo a suspender o regresso do público aos eventos desportivos e a recomendar o trabalho a partir de casa.
E na Suécia, que não tendo adotado num primeiro momento quer o confinamento, quer o uso de máscaras, pondera estabelecer restrições na capital perante a subida vertiginosa do número de infetados.
Em Portugal continental, tal como vaticinou António Costa há uns dias perante o crescimento de casos diários, a segunda onda está próxima. Daí que, para prevenir e mitigar a transmissão do vírus, a autoridade de saúde nacional tenha recomendado o uso de máscara em espaços públicos movimentados, quando não seja possível assegurar o distanciamento físico.
Orientação essa que será também seguida nos Açores, em face da análise da evolução da situação pandémica na Região.

2. A Volta a França em Bicicleta pode surgir aqui descontextualizada, já que estamos a falar da pandemia Covid-19. Mas, na verdade, à semelhança do que aconteceu com praticamente todos os desportos, também esta, que é a maior prova velocipédica por etapas do mundo, sofreu e adaptou-se ao vírus, alterando a data da sua realização, os hábitos dos corredores e do público.
A este foi recomendado que não comparecesse nas etapas a apoiar os corredores. Todavia, houve etapas, sobretudo as de alta montanha, onde o fervor foi mais forte e o público apareceu em grande número, causando muita apreensão nos ciclistas que, a determinada altura, conseguiram “cheirar o hálito a cerveja da boca de alguém”.
Aos corredores foram impostas regras estritas, como a exclusão imediata da sua formação da prova havendo dois casos de infeção por covid-19 no espaço de sete dias entre os elementos de cada equipa e a obrigatoriedade do uso de máscara antes do arranque e no fim das etapas e até nas conferências de imprensa on-line.
E, por fim, para quem, como eu, aguarda todos os anos pelo início de julho para assistir a esta prova de ciclismo, a alteração da data para setembro em nada afetou a espetacularidade da prova. Na verdade, ficou patente como, em tempos de pandemia, se consegue organizar meticulosamente uma prova desportiva de alta competição.

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