Agosto sabático para o PSD de Bolieiro?

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Desde há muitos anos que o termo “rentrée política” entrou no vocabulário dos portugueses. Chegava o final do mês de agosto e assistíamos, por parte dos partidos políticos, à realização de festas-comícios, em locais muitas vezes históricos para os próprios partidos, onde juntavam milhares de militantes, simpatizantes e curiosos.
Isso significava a abertura de um novo ciclo de lutas políticas após as tradicionais férias de verão. Quem não se lembra da Festa do Chão da Lagoa, na Madeira, com Alberto João Jardim a cantar, da Festa do Pontal, do PSD, no Algarve, da Festa do “Avante!”, do PCP ou do Fórum Socialismo, realizado pelo BE no Porto.
No entanto, os novos tempos obrigaram os partidos a cancelar ou a adaptar estes espetáculos mediáticos com fortes medidas de segurança para evitar a propagação do vírus Covid-19.
Nos Açores, o PSD de José Manuel Bolieiro parece ter também seguido à risca a cartilha política há muito escrita, sobretudo para anos eleitorais: descanso em agosto para entrar em ritmo de campanha eleitoral a partir de setembro.
Só que Bolieiro esqueceu-se que nessa cartilha não está escrito que ele é líder do PSD regional há apenas 8 meses, que pelo meio se assistiu a um completo confinamento da população, que defrontará um poder tentacular e instalado há muitos, muitos anos e que a próxima campanha eleitoral em nada se assemelhará aquelas que aconteciam num passado recente.
Efetivamente, os dois principais partidos políticos na Região já vieram publicamente dizer que as suas campanhas para as eleições regionais não terão jantares, comícios ou espetáculos, privilegiando o contato pessoal e a transmissão da mensagem através das plataformas digitais.
Se o PSD/Açores já tinha pouco tempo para mostrar aos açorianos o seu projeto para a Região, perante estes episódios extraordinários e o relaxamento estival, as dificuldades aumentaram substancialmente para os sociais democratas.
O PSD/Açores não necessitava de qualquer rentrée política. Precisava, sim, de ter trabalhado politicamente durante o mês de agosto para recuperar o tempo perdido e o atraso para o Partido Socialista, indo para o terreno, visitando as ilhas, batendo às portas, contatando militantes e simpatizantes, enfim, promovendo um contato direto com o povo açoriano.
O que não parece ter acontecido, pois muitos sociais democratas preferiram expor nas redes sociais as suas férias, com fotos da praia, do gelado, do pôr do sol ou do mergulho nas águas açorianas.
É óbvio que todos, incluindo os políticos, merecem um descanso, mas quem quer vencer eleições, quem quer voltar a ser “Poder” após 24 anos na oposição, não pode pensar nem agir assim. Pelo menos no curto tempo que resta até às eleições.
É um espírito que contrasta com a enorme azáfama protagonizada pelos membros do Governo Regional. Para estes não houve verão e férias nem vê-las. Dia após dia assistimos a inaugurações, celebração de protocolos, entrega de habitações ou concessão de apoios financeiros.
É a cartilha imposta por Vasco Cordeiro para este período. Não parar até ao dia 25 de outubro. E é precisamente aqui que poderá residir a diferença em termos de espírito na procura da vitória nas eleições que se avizinham.
Com este panorama, citando Hugo Soares, antigo líder parlamentar do PSD, num artigo de opinião publicado há dias no Expresso “É tempo, pois, de o PSD arrepiar caminho”, neste caso, o PSD dos Açores.

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