Quem percorreu, em noites da Semana do Mar, a Avenida Marginal da Horta, deparou-se com um cenário algo insólito: uma frente marítima renovada e engalanada de luzes festivas, porém, totalmente esvaziada do bulício expectável nestes dias. Esta estranheza, face ao deserto da alegada sala de visitas da ‘cidade-mar’, a par da tomada de consciência de que o posicionamento dos cidadãos não é amplamente favorável, nem unânime, sobre aquela que se pretende que seja a mais emblemática festa do Faial, conduziu-me a sintetizar alguns aspetos, visando um eventual debate sobre o seu futuro. Não raras vezes, a ouvi apelidada de “festa da barraca” ou “terceiro mundista”, em jeito de crítica à falta de requinte na sua cenarização. Ouvi, porém, quem defendesse a sua perpetuação junto à ribeira da Conceição, porque “a festa, arrumada lá em baixo, chateia menos.” A constância e teor dos reparos fez-me perceber que a Semana do Mar sofre do que parece ser uma delapidação continuada do seu carisma e, consequentemente, do seu próprio corpo, o que resultou numa rutura entre o que se tornou e a sua génese, que lhe sagrou o nome de “Semana do Mar”, ou não faria sentido o debate sobre que espaço deveria ocupar: se ao longo da frente de mar e junto do cerne do festival náutico, se ao longo da frente da ribeira.
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Inês Cunha














