A transformação urgente da “Semana do Mar”

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A Semana do Mar está de volta e com ela um dos maiores Festivais Náuticos do País. Durante uma semana, na nossa mui bela Cidade Mar, os eventos náuticos sucedem-se em catadupa, com centenas de participantes na vela ligeira, nas regatas de botes baleeiros ou na vela de cruzeiro, eventos esses só possíveis graças ao empenho e esforço abnegado do Clube Naval da Horta e de dezenas de voluntários.
São estes que permitem manter viva a chama do espírito náutico que ainda hoje carateriza a Semana do Mar, mas que, aos poucos, tem passado do Mar para Terra.
E aqui há muito que se lhe diga. 
Apesar de este ano surgir com um cartaz musical de fazer inveja a muitos festivais de verão, o modelo organizacional da “Semana do Mar” têm-se mantido inalterado ano após ano. Nada muda. Fecha-se a principal artéria da cidade e usa-se a mesma para colocar sempre, no mesmo local, as mesmas tendas, as mesmas tascas e inclusive o mesmo palco principal.
Certamente há quem goste e quem não goste. Mas, como diz o povo, “não se pode agradar a gregos e a troianos”. 
Naturalmente há um aspeto que ressalta à vista e que é inegável, a Feira Gastronómica é insignificante em termos de promoção dos produtos locais e diz-se que a “Semana do Mar” está envelhecida e parada no tempo, pois, ao contrário de outros festivais ocorridos em ilhas bem próximas, não se adaptou aos tempos modernos, com o intuito de atrair mais gente, mais turistas, mas sobretudo, mais jovens, pois são estes que, usando dos excelentes meios de transporte marítimo que a Região dispõe, dinamizam os festivais de verão que se realizam no Triângulo.
As festas da Madalena evoluíram e encontraram o seu local e o seu modo de realização, impondo entradas pagas. Nada que assuste o público, que tem aderido em massa. Por outro lado, São Roque do Pico tem optado por entradas livres, mas junta no mesmo recinto o palco principal e a tenda para a atuação de Dj´s. Este modus operandi tem impulsionado muito o ”Cais de Agosto” que constitui hoje uma grande festa da juventude.
E nós, o que fazer? Para não ficarmos definitivamente para trás, esta incumbência refletiva estará com certeza nas mãos do próximo elenco camarário, analisar o que precisa de ser melhorado e alterado, ver o que se faz neste género por outras paragens e, porque não, no estrangeiro, e, tendo por premissa um espaço temporal relativamente curto, tentar desenhar uma nova festa da “Semana do Mar”, de modo a impô-la como moda no panorama regional dos festivais de música de verão.
Não me compete dar palpites ou opinião sobre se a festa ou o palco ficam melhor neste ou naquele local, mas legitima-me questionar, por uma questão de transparência, o custo destas festas para o Município. Quanto custa este naipe de artistas, tais como Tony Carreira e Daniela Mercury ao erário público? E está contabilizado o retorno financeiro que esse investimento traz? Questões importantes que o cidadão faialense, sobretudo, tem interesse em saber, pois a época que se avizinha é propícia a gastos desmedidos.
Por causa dessa época, entenda-se período eleitoral, a última força partidária a apresentar a sua candidatura foi a do Partido Socialista. Sem surpresas, José Leonardo volta a encabeçar a lista do PS à Câmara Municipal da Horta, enquanto que, Hélder Silva é chamado, mais uma vez, à política para número um da lista à Assembleia Municipal.
Do mesmo quadrante político, o Bloco de Esquerda já tinha apresentado também os seus candidatos. Mário Moniz aparece como o primeiro candidato na lista à Câmara Municipal da Horta e Dácia Costa encabeça a lista dos bloquistas à Assembleia Municipal.
Está completo o puzzle autárquico. Só nos resta esperar pelas propostas concretas que cada um desses intervenientes tem para a nossa ilha, em termos sociais, económicos e financeiros, para depois cada um decidir em consciência.
E, já que estamos a entrar no ambiente festivo da “Semana do Mar” seria importante saber as propostas que cada candidato tem em relação a esta nossa festa: manter, renovar ou alterar.
Termino desejando a todos os faialenses e a quem nos visita, em nome do Tribuna das ilhas, um jornal cada vez mais de referência no Triângulo, uma excelente “Semana do Mar”.