A urgência do reforço de ligações aéreas com o Faial

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Ao longo das últimas duas décadas, nos países ditos desenvolvidos, assistimos a uma extraordinária transfiguração na mobilidade das pessoas. Viajar tornou-se mais acessível e passou a ser algo “normal” para a maioria dos cidadãos, em especial numa região arquipelágica como é o caso dos Açores.

As acessibilidades aéreas são fundamentais para a ilha do Faial, como temos declarado e continuaremos a repetir. São essenciais para assegurar o direito à mobilidade dos residentes, para que os nossos familiares e amigos nos possam visitar e também para viabilizar o turismo, atividade com uma crescente relevância para a economia da ilha, da região e do país.
Porém, são públicas as dificuldades na obtenção de lugares nas ligações aéreas para chegar ao Faial, quer na rota Lisboa-Horta, quer também e com grande intensidade, nos voos inter-ilhas, em especial na rota Ponta Delgada-Horta.
Na rota Lisboa-Horta, constata-se que na maioria dos dias, a tarifa cobrada pela Sata no voo direto é muito mais cara do que a tarifa cobrada num voo com escala em S. Miguel ou Terceira, atingindo ou ultrapassando frequentemente o dobro do preço.
Por seu turno, nas ligações inter-ilhas, a Sata revela-se incapaz de responder com uma oferta de lugares adequada às necessidades reais do Faial. Conforme denunciámos recentemente, numa pesquisa realizada no site da empresa relativa à rota P. Delgada-Horta, verificámos uma inacreditável situação de inexistência de lugares durante 20 dias seguidos para uma família chegar à nossa ilha. Um responsável por uma instituição local com intervenção na área turística desenvolveu idêntico esforço e constatou que, mesmo para um único passageiro, ao longo de um mês inteiro, só em cinco dias havia lugar disponível para o Faial.
Desta forma, caem por terra os argumentos da política de reencaminhamentos, por incapacidade da companhia aérea açoriana em dar resposta às necessidades.
Por um lado, temos uma empresa pública regional – a Sata – que estabelece tarifas proibitivas nos voos diretos Lisboa-Horta, direcionando os passageiros para voos com escala noutras portas de entrada nos Açores; e ironicamente, verificamos que a mesma companhia aérea não criou capacidade e não planeou a sua operação para garantir que as pessoas conseguem chegar ao Faial nas ligações inter-ilhas.
Esta situação é grave e tem que merecer a devida atenção.
Mas há outra questão que tem que ser colocada: 
 – Que justificação existe para que um voo com escala seja frequentemente (muito) mais barato do que um voo direto Lisboa-Horta? 
Na minha opinião, já o disse e repito: assistimos a uma manipulação da vontade dos passageiros através da política de preços praticada pela Sata.
Isto é, um passageiro que pretende chegar ao Faial e consulta as tarifas, ao verificar que a ligação direta Lisboa-Horta custa o dobro do preço, é naturalmente “pressionado” a optar pelo voo com escala noutra ilha. Mais grave se torna quando não há voos de ligação inter-ilhas, fazendo com que muitos destes passageiros acabem por tomar outras opções e não venham ao Faial.
Talvez assim se construam estatísticas a desmerecer o aeroporto da Horta; talvez desta forma se aumente o número de passageiros noutros aeroportos; talvez assim o Governo tenha (mais) um motivo para recusar a ampliação da pista; talvez no futuro o Presidente do Grupo Sata volte ao Faial para anunciar que as taxas de ocupação são baixas e por isso a Sata, com a cumplicidade do Governo Regional, vai de novo reduzir os voos para o aeroporto da Horta, e dessa vez os números já sejam uma realidade e não uma utilização abusiva de dados parciais para fundamentar uma intenção política previamente delineada.
Os riscos são reais, se não nos unirmos na defesa desta ilha.
Estas situações condicionam diretamente o desenvolvimento do Faial e não podemos continuar a fingir que nada se passa. Há que ter outra atitude e uma postura mais vertical, colocando sempre o Faial em primeiro lugar. 
Carlos Ferreira

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