Acessibilidades: números e estratégia

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Fruto das censuráveis e lamentáveis opções de programação da SATA, que tiveram sempre a cumplicidade do governo regional, em agosto de 2018 o aeroporto da Horta teve menos 20 voos Horta-Lisboa-Horta do que em 2017. 

O resultado óbvio desta opção está espelhado nos números do Serviço Regional de Estatística dos Açores relativamente ao número de passageiros transportados nos voos diretos de Lisboa, que reduziu de 15 531 passageiros em agosto de 2017, para 13 508 passageiros em agosto de 2018. Isto é: o Faial perdeu, neste mês homólogo, de um ano para o outro, 2 023 passageiros.
E isto aconteceu quando, durante todo o mês de agosto, não se conseguia obter lugares na ligação direta Horta-Lisboa-Horta. Isto é: os voos estiveram sistematicamente lotados e não foi cumprida a promessa da SATA e do governo de aumentá-los se viesse a ser necessário. Como se comprova, foi necessário, mas não se aumentou o número de voos, faltando-se descaradamente ao prometido…
Voltemos, porém, aos números. Também por causa das censuráveis e lamentáveis opções de programação da SATA, com a cumplicidade do governo regional, foi decidido reduzir, durante o mês de agosto 2018, o número de voos inter-ilhas com ligação à Horta. Foram menos 24 voos de horário em agosto 2018, por comparação com 2017. Porém, neste caso, a realidade obrigou a SATA a realizar vários voos extraordinários para a Horta para poder escoar o tráfego: por comparação com o mês de agosto de 2017, em 2018 a SATA realizou mais 30 voos extraordinários para a Horta, a que correspondeu, no total, um aumento do número de passageiros transportados inter-ilhas para o Faial de 22 970 em agosto em 2017, para 25 018 em agosto de 2018. Isto é: nos voos inter-ilhas, a SATA transportou para a Horta no mês de agosto de 2018, por comparação com 2017, mais 2 048 passageiros.
A similitude dos números (redução do número de passageiros na ligação direta a Lisboa – 2 023 passageiros e aumento do número de passageiros nas ligações inter-ilhas – 2 048 passageiros) é sintomática e reveladora. E permite uma leitura, para mim, óbvia e imediata: os passageiros que a SATA impede de serem transportados na ligação direta Horta-Lisboa-Horta, estão a ser canalizados para outros aeroportos e, daí, a serem transportados para esta ilha nos voos inter-ilhas.
Desta forma, encapotada e sub-reptícia, ajuda-se a promover o movimento de outros aeroportos da região e dá-se cumprimento a uma agenda cada vez mais visível: paulatinamente esvaziar alguns aeroportos de entrada na região e criar o famigerado hub que concentre a entrada e saída de passageiros nos Açores.
Se há uns anos este seria um tema “proibido” em nome dos princípios basilares da Autonomia, do desenvolvimento integrado e harmonioso de todas as ilhas, hoje em dia são já muitos os que não se inibem de defender abertamente esta solução, esquecendo, por conveniência, todo o progresso feito em sentido contrário e, sobretudo, as especificidades da história dos Açores e dos alicerces fundadores da nossa jovem Autonomia.
A denúncia desta estratégia teria sido, aliás, um tema muito sério e muito oportuno para debater com o governo regional, de viva voz, e na frente de testemunhas, quando este aqui esteve reunido com o Conselho de Ilha.
Infelizmente, na presença do governo, pelo que se soube pela Comunicação Social, a maioria das designadas “forças vivas” do Faial, convenientemente, emudeceu. Neste e noutros temas.
Apenas abona a seu favor um facto: mesmo que tivessem falado, com este governo de nada serviria.
Ao fim de 22 anos, é assim que estamos. No Faial e nos Açores! 

11.11.2018