Acidente marítimo, um ano depois

    0
    5

    Faz um ano que ocorreu o fatídico acidente que vitimou o José Norberto Silva, a bordo do navio Gilberto Mariano, no porto de São Roque do Pico.
    Um ano depois está ainda por saber oficialmente o que esteve na origem deste trágico acidente e que entidade ou entidades assumem a responsabilidade pública, e ou judicial, por esta triste e inesperada ocorrência.
    Um ano depois muitas declarações e opiniões públicas feitas por pessoas, entidades ou especialistas na matéria, a par de alguns episódios de natureza politica, têm vindo à luz do dia mas, infelizmente, até hoje nada de conclusivo foi ainda apurado sobre as causas ou as responsabilidades por este acidente mortal, ocorrido na noite do dia 14 de Novembro de 2014.
    Um ano depois assiste-se a um lamentável e incompreensível “jogo de fogo cruzado” entre as várias entidades ou individualidades que estão a ser ouvidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito ao Transporte Marítimo de Passageiros e Infraestruturas Portuárias, da Assembleia Legislativa Regional, em que os inquiridos divergem em quase tudo parecendo não haver razões, nem ciência que explique ou comprove a que se ficou a dever o acidente ou identifique quais as responsabilidades que têm de ser assumidas.
    Para uns as causas do acidente estão nas más condições do cabeço, fosse de conservação fosse de instalação. Outros garantem que o problema foi dos cabos utilizados no navio. Outros ainda que se deveu à agitação marítima que se registou no dia do acidente mortal. Portanto, “cada cabeça a sua sentença”, e não estamos a falar de simples leigos mas sim de especialistas e dos mais reputados do país.
    Um ano depois é caso para perguntar: afinal em que ficamos? Esta é a resposta que falta para que as causas (visto que parecem ser muitas) da perda de uma vida humana sejam devidamente explicadas.
    Um ano depois falta saber também o que o inquérito do Ministério Público apurou, ou vai apurar, porque a justiça é lenta mas, “num Estado de Direito”, não pode deixar de ser feita.
    Um ano depois do fatídico acidente que vitimou o José Norberto exigem-se respostas e conclusões que permitam explicar à família o que esteve na causa desta inesperada e brutal ocorrência e que responsabilidades terão de ser assumidas.
    Um ano depois exige-se conclusões, a assunção de responsabilidades, as necessárias alterações ou correções nos equipamentos ou infraestruturas, de modo a que seja garantida a segurança, sobre a qual os inquiridos na Comissão Parlamentar de Inquérito não geram convergência, para que se torne possível repor a total confiança nas ligações marítimas com os novos navios no Triangulo, para que situações idênticas não se repitam nem ocorra a perda de mais vidas humanas.

    PS- Com novos navios e novas infraestruturas portuárias nos últimos tempos temos assistido a um pouco habitual cancelamento de ligações entre as ilhas do Faial e Pico, com elevado prejuízo para todos aqueles que diariamente têm de atravessar o canal, o que obrigatoriamente nos deve fazer refletir sobre as opções políticas dos novos equipamentos marítimos e infraestruturas portuárias.

    O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO