Açores em Lisboa

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Aurora Ribeiro
Aurora Ribeiro

Já está estafada a frase de Saramago que diz que “é preciso sair da ilha para ver a ilha”. Fora das ilhas é uma analogia recorrente da relação entre cada coisa e o mundo, entre cada pessoa e os outros, entre o eu e o nós. E, nas ilhas, vamos sempre buscá-la para a tomar no seu mais direto significado: é preciso sair dos Açores para ver o que são os Açores lá fora. É esse exercício que faço neste período ainda festivo, do lado de fora da ilha e, mais precisamente, a partir de Lisboa. Desde que cheguei, foram três as vezes em que vi as ilhas a partir daqui. Primeiro, pela sua importância no contexto histórico, na segunda vez, pela sua importância natural e numa terceira por motivos políticos.

Açores como prisão

A antiga prisão lisboeta do Aljube é agora Museu de Resistência e Liberdade, inaugurado em 2015. Encontra-se junto à Sé de Lisboa, num edifício que já servia como cárcere desde o período romano. Foi com essas funções que se manteve sempre, atravessando os períodos islâmico, medieval, moderno e durante quase toda a ditadura, quando foi triste cenário para a detenção, interrogatório e tortura dos presos políticos.

Neste Museu, os Açores surgem no mapa como um dos lugares para onde os presos eram frequentemente desterrados. A Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, mas também o Forte de São Sebastião na mesma ilha, encarceraram mais de 500 presos políticos, incluindo 40 açorianos. É preciso relembrar o papel da Resistência na conquista da liberdade que hoje vivemos e sobretudo não nos esquecermos da violência, da opressão, da perseguição, da tortura e da morte a que foram sujeitas. Porque também nas ilhas se viveu tudo isto.

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