Aeroporto da Horta II – (Turismo)

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Na continuação do anterior artigo, foco-me agora em alguns dados estatísticos importantes do nosso aeroporto, que nos permitem analisar o presente para perspetivar o futuro. Os dados apresentados têm como fonte as tabelas disponíveis no site do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).
Analisando os dados de 2017 e comparando com os de 2016, já de si excecionais, verificamos que o Aeroporto da Horta bateu o recorde de nº total de passageiros, atingindo o valor de 238.507 passageiros, o que representa um aumento de 7,7% em relação ao ano passado. Para se ter uma noção do que estamos a falar, o Aeroporto do Pico em 2017 atingiu pouco mais da metade, com 121.811 passageiros (obviamente com menos voos), uma redução de 1,2% em relação ao valor máximo atingido em 2016.
Se a análise for feita apenas pelos passageiros desembarcados, verificamos que o Aeroporto da Horta teve um aumento de 6,18% para os 110.799 passageiros (+6451) e o Aeroporto do Pico uma subida de 0,96% para 59.934 (+571).
Em face das discussões sobre as melhorias das acessibilidades e aumentos de pistas em ambos os Aeroportos, torna-se importante analisar o número de voos e passageiros transportados na rota com Lisboa, bem como o cálculo das taxas de ocupação, utilizando os dados disponíveis do SREA e os lugares disponíveis no A320 da Azores Airlines.

 2017

Voos (Ida+volta)

Passageiros

Taxa Ocupação

LIS-HOR-LIS

652

79 649

74%

LIS-PIX-LIS

254

29 378

70%

Salta logo à vista que os 2 aeroportos têm boas taxas de ocupação anuais. Em todo o caso, é de realçar o facto do Aeroporto da Horta, com 2,5 vezes mais voos e lugares disponíveis que o do Pico, consegue mesmo assim uma taxa de ocupação superior.
Analisando as taxas de ocupação mensais, verifica-se que os voos disponíveis para o Faial no Inverno IATA são suficientes, com exceção de Dezembro, com taxas da ocupação semelhantes à média anual. Da mesma maneira que no Pico, em todo o Inverno IATA, o n º de voos é mais do que suficiente para a procura, com taxas de ocupação sempre inferiores ao Faial, mesmo tendo menos de metade dos voos disponíveis.
Já se a análise for feita aos meses do Verão IATA o caso muda de figura, sobretudo nos meses de Julho e Agosto, em que os 192 voos Lis-Hor-Lis obtêm taxas ocupação elevadas, com destaque para os 93% no desembarque de Julho e os 93% de embarques em Agosto. Da mesma forma que os 58 voos, no mesmo período, na rota Lis-Pix-Lis obtêm taxas de 95% no desembarque de Julho e 98% no embarque em Agosto, percebendo-se a necessidade premente do aumento de voos. Em ambos os casos é percetível que existem muitos dias com voos esgotados.
O pensamento imediato é a necessidade de mais voos na época alta, o que tendo em conta a frota da Air Açores com apenas 3 aviões A320, em que um atraso ou avaria é suficiente para provocar o caos na operação, não aparenta ser tarefa fácil. Daí a necessidade da revisão das obrigações de serviço público, flexibilizando-as, para que mais companhias possam aceder à rota com um previsível aumento dos voos e passageiros. Mas como não há bela sem senão, deixo também as seguintes perguntas para reflexão: será que temos capacidade para no curto prazo receber muitos mais turistas no pico da procura? Que turismo seria oferecido, tendo em conta a oferta disponível nessa altura do ano?
Com bases nos dados sazonais e pelo que nos é repetidamente dito pelos empresários de turismo, a necessidade não está em aumentar os voos no verão mas sim em encher os voos de Inverno. No pico do Verão a oferta turística disponível chega a ficar saturada, tendendo a perder qualidade, o que funciona como publicidade negativa para um turismo que se quer diferenciado, sustentável, de natureza e relaxante. E basta ver o que se passou no pico do verão passado, em que as subidas à montanha do Pico chegavam a ter esperas prolongadas ou esgotavam, as idas ao Centro Interpretativo do Vulcão a mesma coisa, o aluguer de viaturas foi extremamente difícil, ir a um restaurante só com reserva e se se apanhava lugar era certo uma espera anormal pela comida ou críticas pelo serviço prestado. Ora esta desejada subida de voos/turistas deve ser realizada com o desenvolvimento da oferta que a ilha tem para apresentar, porque senão corremos o risco de degradar aquilo que nos distingue como um destino singular.
Na verdade, o problema no verão está sobretudo centrado nos residentes, uma vez que com o “boom” de turismo os lugares escasseiam. O preço final para residente, esse, mantem-se o mesmo, 134€. No caso dos turistas, se a procura suplanta a oferta, porque não aumentar os preços do destino e dos serviços prestados? Os dados comprovam que o acentuado aumento de turistas não foi acompanhado pela mesma ordem de grandeza nos proveitos totais, ou seja, os preços baixaram. Tendo em conta as nossas especificidades e a mais-valia do Triângulo, não será preferível um turismo que aposta na qualidade em vez da quantidade? 

(Continua num próximo artigo…)

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