AIR Center – Açores vão integrar associação de direito privado com vista à sua instalação

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A Região Autónoma dos Açores, por intermédio do Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, irá fazer parte da Associação de Direito Privado, com instalação prevista para a Praia da Vitória, que irá agilizar a instalação do Centro Internacional de Investigação do Atlântico – AIR Center, na ilha Terceira.

Os Açores vão integrar a Associação de Direito Privado, sem fins lucrativos, em parceria com o Governo da República, a qual será criada com o objetivo de agilizar a instalação do Centro Internacional de Investigação do Atlântico – AIR Center, que terá a sua sede na Praia da Vitória, na Terceira e terá a participação inicial do Fundo Regional para a Ciência e Tecnologia, vocacionado para a gestão e financiamento na área da ciência.
Este anúncio foi feito pelo Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, que salientou que o “envolvimento” dos Açores nesta iniciativa, “enquanto Região Autónoma de um país seu fundador, resulta do empenho em garantir que a sede deste centro internacional de investigação assume a maior dimensão possível em termos de capacidade de fixação de recursos humanos altamente qualificados e de indústria associada às áreas de interesse do AIR Center”.
“A criação desta associação é um passo determinante para a instalação do AIR Center”, sublinhou Gui Menezes, referindo que aquela “irá coordenar e operacionalizar a captação de investimentos para projetos científicos de âmbito internacional”.
O Secretário Regional revelou ainda que a ilha Terceira vai acolher este ano a primeira reunião da Comissão Instaladora, definida na Declaração de Florianópolis em novembro de 2017 e assinada pelo Governo dos Açores.
Açores empenhados na cooperação científica e tecnológica respeitando sempre Estatuto Político-Administrativo da Região
O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou, em Matosinhos, que o Governo dos Açores “estará sempre empenhado na cooperação em vários domínios da ciência e da tecnologia a bem do desenvolvimento da Região, do país e do nosso futuro coletivo”, defendendo, no entanto, “o respeito pelo Estatuto Político-Administrativo da Região, nomeadamente em termos de decisão política sobre o uso do seu território”.
Gui Menezes, que falava no evento ‘GoPortugal: Laboratórios Colabora-tivos, Interações Atlânticas e o AIR Center’, onde foi debatida a instalação do Centro de Investigação Internacional do Atlântico, afirmou que “os Açores se orgulham, naturalmente, de serem o palco privilegiado para a construção de um futuro feito de ciência, tecnologia e de conhecimento”.
Na área do Espaço, Gui Menezes referiu que foram assinados, em 2016, e em parceria com o Governo da República, acordos para a ampliação das infraestruturas espaciais em Santa Maria ligadas à estação da Agência Espacial Europeia, nomeadamente a transferência de uma antena da ESA da Austrália para os Açores.
Esta nova antena será instalada durante o ano de 2018 e “poderá representar uma importante fonte de dados que poderão ser utilizados no âmbito de projetos integrados no AIR Center, no que respeita a estudos de observação da Terra e ao desenvolvimento de novos negócios ligados ao setor aeroespacial”, disse.
Durante a sua intervenção, o Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia destacou ainda a instalação, durante este ano, de uma estação de receção e emissão de dados para a nova constelação de satélites meteorológicos polares, no âmbito da Organização Europeia para a Exploração de Satélites Meteorológicos (EUMETSAT), através da empresa EDISOFT.
Segundo Gui Menezes, e considerando as várias infraestruturas aeroespaciais existentes em Santa Maria, “esta ilha poderá constituir-se como um verdadeiro ‘cluster’ espacial no meio do Atlântico Norte”.
“Santa Maria, a ilha mais meridional do arquipélago, é o maior polo concentrador de tecnologias espaciais do nosso país e tem um potencial para ir muito mais além no que respeita às tecnologias aeroespaciais”, assegurou.
A Estação de Rastreamento de Satélites de Santa Maria, a primeira estação da Agência Espacial Europeia em território português e uma das primeiras estações da rede de estações ESTRACK, a Estação que monitoriza a qualidade do sinal e o posicionamento dos satélites Galileu em órbita da Terra e a Estação da Rede Atlântica de Estações Geodinâmicas e Espaciais (RAEGE) foram algumas das infraestruturas destacadas.
Gui Menezes referiu que serão ainda integrados na Estação RAEGE projetos que dizem respeito aos estudos das alterações climáticas, através do desenvolvimento de atividades de estudos atmosféricos e de propagação de ondas eletromagnéticas na alta atmosfera.
O Secretário Regional lembrou também a criação, em 2017, da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, a integração dos Açores na Associação NEREUS (Network of European Regions using Space Technologies), que congrega regiões utilizadoras de tecnologia espacial, e na rede de Copernicus Relays, da Comissão Europeia, como “exemplos da aposta do Governo dos Açores no setor aeroespacial”.
Para além das estruturas espaciais, o Secretário Regional referiu ainda um conjunto de “importantes infraestruturas”, entre as quais a Estação ARM – Atmospheric Radiation Measurement, na Graciosa, que integra uma plataforma internacional de estudos climáticos avançados no Atlântico, e a Estação PICONARE, instalada no topo da Montanha do Pico, a mais de 2.000 metros, para estudos climatológicos em altitude.
O Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores, em São Miguel, o Centro de Estudos do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores, na Terceira, e o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, no Faial, bem como os parques de ciência e tecnologia de São Miguel e da Terceira foram outras das infraestruturas apontadas como de relevância para o projeto do AIR Center.
No que respeita às condições de investimento, Gui Menezes salientou que os Açores apresentam um sistema fiscal e programas de incentivos à fixação e implementação de projetos empresariais “únicos e muito atrativos”, que poderão constituir-se como uma “mais-valia” na captação de empresas e ‘start ups’ nas áreas de interesse do AIR Center.

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