Ambição de Menino era ser guardião, mas cedo passou a ser goleador

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Pedro Rodrigues

Pedro Rodrigues, maior goleador faialense no Campeonato de Futebol dos Açores visita o clube que o formou à 9ª Jornada da Liga Grupo ESO RE/MAX 2019/20 com o clube que o acolherá até ao pendurar das botas.

Antes dos jogos virtuais de futebol na PlayStation eram os super-heróis desde o Batman aos Incríveis que estimulavam a imaginação das crianças. E alguns meninos queriam mesmo jogar guarda-redes, porque, como estes super-heróis, os guardiões usam equipamentos mais coloridos, luvas e calças almofadadas ou, então, por e simplesmente pelas influências familiares.
De qualquer das formas, em 1994, um menino de sete anos cheio de ambição e vontade de ser guarda-redes do Fayal Sport Club (FSC), como o pai também tinha sido na década anterior, entrou no Estádio D’Alagoa para fazer o seu primeiro jogo.


“Quando era miúdo a minha primeira (opção) era guarda-redes”, conta Pedro Rodrigues. “Meu pai (José Rodrigues—Zé do Pico) era guarda-redes, meu tio (Victor Rosa) era guarda-redes. No meu primeiro jogo com o FSC joguei fora na primeira parte, marquei dois golos contra o Clube Recreio e Fraternidade de Castelo Branco e na segunda parte pedi para ir à baliza.”
Estas imagens de infância levaram o miúdo a calçar luvas e dar uns mergulhos para defender a baliza do FSC, mas isso durou pouco tempo. Os colegas e treinadores queriam era vê-lo a atacar a baliza dos adversários e foram mais convincentes nos seus argumentos. Possivelmente, terão visto que lhe era mais natural marcar golos que os impedir. E o facto é que Pedro Rodrigues rapidamente passou a destacar-se como o goleador dos escalões de formação do FSC e das Seleções da Associação de Futebol da Horta.
As coisas foram acontecendo com naturalidade, e Pedro Rodrigues passou a ser ponta de lança. Acabou por marcar muitos golos ao longo dos anos da sua formação, mas nunca conseguiu os ambicionados títulos coletivos. Pedro Rodrigues diz, e nota-se alguma tristeza e frustração nas suas palavras, que desde o escalão de iniciados sempre venceu o torneio de abertura da AFH, mas nunca conseguiu ganhar o campeonato.
Por outro lado, as coisas continuaram a correr-lhe bem a nível individual. Por isso, ainda no primeiro ano de juniores, Pedro Rodrigues foi lançado nos seniores do FSC pelo treinador Horácio Goulart. A primeira vez que jogou como titular dos seniores marcou um golo para ajudar os Verdes D’Alagoa a cimentar a vitória em casa do Grupo Desportivo da Feteira. No segundo ano de juniores Pedro Rodrigues continuou a subir aos seniores, desta vez com Pedro Serpa no comando. Nessa época de 2005-2006 marcou 60 golos nos juniores e 8 golos nos seniores para ajudar o clube a subir à Série Açores da 3ª Divisão Nacional.
Nessa primeira época na Série Açores com um treinador de fora, Manuel Monteiro, que jogo no Boavista Futebol Clube da 1ª Divisão, Pedro Rodrigues foi um jogador importante no sucesso do FSC. É esse homem com ideias diferentes que lança Pedro Rodrigues na Série Açores, por isso, ainda hoje, é lembrado como uma pessoa muito influente na carreira deste goleador faialense.
“Ele (Manuel Monteiro) foi um pai em todos os sentidos”, disse Pedro Rodrigues. “Ele chegou ai de fora e eu bem ou mal era um miúdo, era da formação e ele pegou em mim e começou a lançar-me sem medo. Ele viu que podia dar ali alguma coisa. Ele deu-me muitos minutos no primeiro ano e no segundo ano eu era titularíssimo até ele ir embora. Depois veio o António Luz e fui sempre titular. Ele (Manuel Monteiro) não teve medo. Se calhar se fosse aqui alguém da terra, conforme, era diferente. O (Pedro) Serpa também não tinha medo, mas claro era diferente. No meio dos mais velhos eu era um miúdo, mas ele nunca teve medo… Ele é que foi um bocadinho responsável desta passagem para os seniores… Ele é que deu aquele toquezinho.”Esse voto de confiança foi retribuído com golos. Pedro Rodrigues lembra que marcou o seu primeiro golo na prova numa vitória caseira por 3-2 sobre o Sport Club Praiense, logo contribuindo para que o FSC ficasse nos primeiros 5 lugares na época de 2006-2007.
Por isso até podemos dizer que Pedro Rodrigues foi feliz nos primeiros anos da carreira desportiva, mas também teve de saber lidar com fortes adversidades em certas ocasiões. Uma delas foi a morte do avô, Jaime Rosa, numa altura importante da sua vida desportiva. Pois tinha um convite para prestar provas da sua habilidade no Sport Lisboa e Benfica. Abalado com a perda da pessoa que mais o marcou e a quem era muito chegado, Pedro Rodrigues nem queria ir ao Benfica. Mas como o avô o ensinou a lutar sem medo, o jovem Pedro Rodrigues lá foi para Lisboa sem medo, mas emocionalmente debilitado. Dai que, duas semanas depois regressou ao Faial sem atingir o seu grande sonho de jogar futebol num dos maiores clubes do país.
Mais tarde surgiu outra oportunidade na captação do Futebol Clube o Belenenses, acabando por ficar no clube e jogar contra o Estrela da Amadora, Casa Pia e Oeiras. Só que o azar voltou a acabar com o sonho. E quando se preparava para participar com os Azuis do Restelo num torneio no Algarve, Pedro Rodrigues fraturou um dedo do pé e viu-se obrigado a regressar ao Faial. “A gente sabe a realidade deles”, disse Pedro Rodrigues. “Iguais a mim tem muitos e não sabiam quanto tempo eu ia ficar parado”.
Depois de recuperar, Pedro Rodri-gues retomou a sua carreira no futebol regional e fez uma das suas melhores épocas em 2005/06 para ajudar a colocar o FSC no Campeonato de Futebol dos Açores de 2006/07. Desde então foi somando golos e agora prestes a iniciar a sua 9ª época no Campeonato de Futebol dos Açores é já o melhor marcador faialense com 63 golos, a maioria deles marcados ao serviço do Vitoria Futebol Clube de São Roque do Pico e do Fayal. Foi o primeiro faialense a conquistar o título de melhor marcador do Campeonato de Futebol dos Açores, o segundo jogador de equipas da Associação de Futebol da Horta a realizar tal feito, ao apontar 17 golos na época passada, apenas dois de penalti, para ajudar o Vitória a garantir a manutenção.
Por isso, antevê-se uma luta renhida entre o Vitória e o Fayal no Campeonato de Futebol dos Açores Liga Grupo ESO RE/MAX 2019/20. Para já o Fayal parece mais penalizado no arranque da Liga ESO RE/MAX 2019/20 com o Vitória a receber o Sport Club Marítimo da Graciosa e o FSC a visitar o Clube Operário Desportivo na Lagoa em São Miguel a 22 de setembro. Agora no primeiro duelo entre ambas equipas que vai acontecer só a 9.ª Jornada a 24 de novembro, parece que o FSC foi mais feliz ao receber o VFC.
“Eu respeito o clube que fui formado, toda a gente sabe de isso,” disse Pedro Rodrigues, 32 anos, agora capitão dos alvinegros do Pico, clube que representa há cerca de seis anos e onde pretende jogar enquanto sentir que pode competir com miúdos mais novos. “Eu gosto de vir aqui (Estádio D’Alagoa) jogar. Graças a Deus, sempre que venho aqui, ou quase sempre, tenho marcado golos. Mas respeito o Fayal Sport e as pessoas. Mas também fui sempre muito profissional e estou num sitío onde me sinto bem, onde me sinto em casa e dou o máximo por aquilo.”

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