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Animais de estimação e saúde psicológica | Um olhar sobre os benefícios para miúdos e graúdos

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Por: Filipe Fernandes

Nota biográfica
Psicólogo Clínico e da Saúde e Vogal da Direcção da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Nas consultas com crianças, quando elaboro o genograma familiar, é muito comum haver uma exigência da inclusão dos animais domésticos na família. Sem excepção, usando os meus parcos recursos artísticos, desenho o animal que fizer parte do quotidiano das crianças. Um gato ou um cão já têm um rabisco treinado, quando são animais mais exóticos surge um desafio ao traço do psicólogo. Tal como nos mais pequenos, também os adultos tendem a considerar os seus animais como membros da família, estabelecendo com eles ligações marcadas pelo afecto e por alguma intimidade, ainda que de natureza diferente daquela que estabelecemos com os outros seres humanos. Nas consultas, é habitual surgirem referências à importância e impacto que os animais de estimação têm no quotidiano das pessoas, em particular em momentos menos felizes ou em alturas mais tristes ou depressivas.
A Ciência Psicológica já comprovou que, de muitas formas, os animais de estimação podem ajudar-nos a viver com mais saúde psicológica e bem-estar. Os animais de estimação, sejam eles quais forem, podem ser uma fonte importante de companhia, conforto, apoio emocional e motivação para os seus donos, sejam eles mais ou menos crescidos.
Há alguns aspectos marcantes, e relevantes para a nossa saúde psicológica, na relação com os nossos animais de estimação.
Os nossos bichos tendem a aceitar-nos como somos, não nos julgam e gostam de nós, incondicionalmente, todos os dias, trazendo-nos uma sensação de segurança, controlo e uma visão positiva sobre nós mesmos e sobre o mundo.
São, também, uma fonte de apoio emocional, percebem quando estamos menos bem e, alguns, até tentam arranjar formas de nos animar. Quando cuidamos deles, fica a lembrança de que também devemos cuidar de nós.
Ajudam a diminuir o stresse e a ansiedade. Fazer festas a um animal, brincarmos ou sentarmo-nos junto dele pode dar-nos a oportunidade de relaxar, distrair a nossa mente de preocupações e acalmar-nos: a nossa tensão arterial diminui, assim como o ritmo cardíaco; a respiração torna-se mais regular e os músculos relaxam; a “hormona do stresse” – o cortisol – diminui e as “hormonas da felicidade” – a dopamina e a serotonina – aumentam.
Levam-nos a ser fisicamente mais activos. Quando temos um animal de estimação, por exemplo um cão, temos de passeá-lo, dar-lhe de comer e brincar com ele. As necessidades de alguns animais domésticos podem levar-nos a aumentar a nossa actividade física, o que, por sua vez, melhora a nossa saúde psicológica (por exemplo, diminui a ansiedade e melhora o humor) e física (diminui a pressão arterial e a frequência cardíaca, por exemplo). Os animais de estimação podem ainda ajudar-nos a perder peso.
São um factor protector contra o isolamento e a solidão. Os animais de estimação oferecem companhia aos seus donos e alguém com quem partilhar a rotina diária. Os animais podem também facilitar oportunidades sociais para conhecermos pessoas novas.
Ter um animal de estimação também tem benefícios para a saúde psicológica e o bem-estar das crianças. Crescer na companhia de animais de estimação estimula o desenvolvimento de competências que vão ser importantes ao longo de toda a vida, como a empatia uma vez que, ao ser partilhada com a criança a responsabilidade de cuidar, ela aprende a dar atenção às necessidades do outro (dar comida, confortar e brincar,…).
Ao desenvolver uma relação com um animal de estimação, as crianças melhoram as suas competências de interação, comunicação e brincadeira. Ao experimentar estas competências com os seus animais, que as aceitam incondicionalmente, as crianças sentem-se encorajadas a comunicar com outras crianças e adultos.
Os animais não julgam e são ótimos confidentes. As crianças têm oportunidade de expressar as suas emoções, segredos e medos aos seus animais de estimação, gerando uma oportunidade para expressar e regular as suas emoções. As crianças que têm animais de estimação apresentam geralmente níveis mais baixos de ansiedade e menos problemas de comportamento.
Uma criança que consegue cuidar da sua tartaruga ou do seu coelho torna-se mais capaz de assumir responsabilidades e pode sentir uma maior auto-estima. Um animal de estimação oferece um amor incondicional e não critica a criança, podendo ajudá-la a construir autoconfiança.
Ter e tomar conta de um animal de estimação (dar-lhe de comer, passeá-lo, dar-lhe banho,…) ajuda a criança a aprender a planear, ser mais autónoma e a ser responsável – competências que depois podem ser extrapoladas para outras áreas da sua vida, como a vida académica.
Para mais informação sobre este tema, vale a pena uma consulta ao Portal Eu Sinto.me da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

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