O combate à atual conjuntura, marcada pela redução do rendimento disponível das famílias, por menor consumo, maior carga fiscal, congelamento do crescimento do setor público, dificuldades no setor financeiro, e consequentemente, de escassez de moeda e respetiva circulação a uma velocidade muito reduzida, passa necessariamente por uma aposta séria e credível na pasta da economia e da inovação.
Ao nível económico, há que mudar de postura, ter um novo rumo, com um planeamento capaz de derrubar esta crise, aumentando os níveis de confiança nas famílias e nas empresas, estar atento à capitalização das empresas, aplicando instrumentos de aumento de liquidez por parte da banca.
O titular da pasta tem que saber as áreas em que deve investir, atempadamente, para estimular o setor público, mas sempre correlacionado com o investimento privado, para que se ganhe assim sinergias, mais-valias, mais valor acrescentado para a nossa economia.
Para além de estimular de uma forma global a economia, deve evitar conflitos entre as economias das várias ilhas e potenciar ao máximo cada oportunidade e especificidade próprias, para que nada se perca e que todo o potencial, todo o emprego seja passível de se criar e de se desenvolver.
Outro desígnio que se lhe coloca é o da inovação. O mundo está a mudar, podemos ter os pilares da nossa economia mas se não soubermos inovar e acompanhar este mundo em constante mudança, não chegaremos a bom porto.
É, pois, com arrepio que vejo estas necessidades urgentes para os Açores e a elevada incapacidade que tem sido demonstrada pela pasta da economia a vários níveis.
O primeiro é o do discurso, quando se diz que estamos melhor do que os outros, sem querer ver o essencial: que o modelo económico da região sofre de debilidades profundas. Teve que haver regionalizações em várias ilhas e em diversos setores, foi a fábrica do açúcar, foi a fábrica de conservas, e há um setor público empresarial altamente deficitário…
Ou seja, a nota do detentor da pasta é negativa, bem baixa, mas mais grave e roçando a demonstração de incapacidade e ausência de competências para exercer o cargo foi o facto destas ações de regionalização terem sido assumidas e lideradas não pela pasta da economia mas por outra secretaria regional.
Por outro lado, no caso do navio Atlântida, evidenciou-se uma caraterística própria da formação de base em direito do secretário regional da economia, que optou pela resolução do contrato de construção daquele navio, devido a não cumprir uma cláusula contratual.
Esta situação poderia ter sido resolvida doutra forma, mas não o foi. Temos uma secretaria da economia duma região que depende dos fundos do orçamento de Estado e toma uma medida que está a causar desemprego no país e a falência duma empresa industrial. Como é que este titular vai ter poder negocial com a República, se quebra contratos destes, sem soluções alternativas?
Esta agressividade de atuação não se adequa aos princípios da autonomia, revelando-se como um motivo de enfraquecimento e fragilidade na negociação futura, com aqueles de quem dependemos.
Mas se a este nível fosse coerente nas atitudes teria algum mérito. Sim, não e fácil pegar numa pasta de alguém do mesmo partido e colega de governo (que embora cometesse muitos erros, tinha uma capacidade empreendedora e realizadora muito forte) e corrigisse os seus erros.
Na verdade, se corrigiu este erro e não aceitou a vinda do Atlântida, poderia ter corrigido outros erros do secretário anterior.
Se o anterior titular da pasta da economia prometeu a todos os faialenses e apresentou a maquete pública do projeto do verdadeiro cais de cruzeiros e de passageiros que a Horta merecia e depois o mingou, o atual secretário poderia, na mesma levada, e em coerência, ter dado aos faialenses o que lhes foi prometido.
Em suma, neste contexto sócio económico, os Açores necessitam que o responsável pela pasta da economia faça aquilo que se espera dela, assumindo de frontalmente todas as decisões e tomando as medidas mais adequadas, com coerência e transversalidade, promovendo o desenvolvimento legitimamente almejado pelos habitantes de todas as ilhas.











