Prova dos nove – Perdidos!

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A conjuntura não é fácil. Há um país que necessitou de recorrer a pessoas de fora para lhe ditar como se devem governar os dinheiros públicos, senão não teria crédito para pagar as dívidas, os ordenados e os investimentos comprometidos.

Há um Estado pesado em burocracia e que gasta muito mais do que consegue espremer dos impostos dos seus contribuintes, que necessita de reformas profundas e de abandonar demagogias.

Há o sector bancário português em grandes dificuldades, com pouca capacidade de continuar a vender dinheiro, quer às empresas, quer às famílias.

Estamos perante ameaças de que as transferências para a Região venham a sofrer cortes e o aumento de responsabilidades, e o poder local poderá também ser alvo de grandes reformas financeiras.

É neste cenário que os Faialenses vivem, pois somos uma esponja de tudo o que acontece, agravado pelo facto do Faial ser uma ilha periférica duma Região periférica. Mas a nossa conjuntura particular ainda é mais preocupante, temos um governo centralizador que decreta que apenas duas ilhas se podem desenvolver.

Temos a prova deste aspecto local com a divulgação dos Censos de 2011, que revelam uma estagnação para a ilha e um decréscimo populacional nas ilhas mais frágeis, sendo a prova dos nove de que esta política carece urgentemente de reformas.

Reformas que passam por fazer quase o contrário do que se está a fazer, em que a ordem é descentralizar, pois é possível nos dias de hoje, com a tecnologia de que dispomos, dispersar riqueza pela Região e trabalhar de ilhas mais pequenas para o arquipélago e com isto conseguir até baixar custos, ao contrário do que se diz!

Há que ter novos modelos centrados nas ilhas e nas suas potencialidades e nas suas gentes, captando os seus pontos fortes para os desenvolver e gerando verdadeiras oportunidades para que se crie emprego qualificado, para que se crie gente com ideias, com pensamento de futuro.

O Faial tem essa carência. Levou uma década onde a reconstrução do sismo absorveu muitos recursos regionais e nacionais mas que ao nível eleitoral foi mais do que suficiente para ganhar eleições; contudo, o aumento da qualidade de vida trazido pelas habitações dos faialenses deixou uma marca, a de termos perdido o comboio do desenvolvimento económico em muitas áreas.

E pior do que isso foi o facto de muitos detentores de cargos de responsabilidade, quer políticos, quer públicos levarem muito tempo, quase uma década, a ver que o mundo se estava a alterar e que o Faial, numa fase de desenvolvimento económico, estava parado e não puderam fazer nada.

Estes políticos, com esta liderança de Rei e Vice-Rei, transformaram-se em seguidores cegos, com espinhas dorsais de caracol, que de pouco mais servem do que para abrir a porta do carro, que os berros de além mar são seguidos de um “Sim, senhor presidente” e “Desculpe, senhor presidente”…

Mais uma prova de que estamos perdidos neste contexto ocorreu no aniversário da cidade da Horta, quando o edil faialense no seu discurso, para além de dizer as coisas normais que este município faz, e que nem as básicas faz, espantou os presentes, afirmando que o município estava contra as plataformas logísticas e a favor do aumento do aeroporto da Horta; obviamente, ouviram-se palmas na sala.

Porém, a remate falou Vice-Rei, que centrou o seu discurso nas instituições homenageadas, provando que não ouviu, nem quer ouvir, e que nem serve para nada o que o autarca disse sobre estes assuntos. O discurso do arquitecto da economia deste governo no salão nobre da cidade da Horta foi a atroz prova dos nove de que o Faial está ausente dos planos de desenvolvimento regional.

Foi uma sensação demasiado real de que este Faial, num momento tão difícil, está perdido nas mãos desta gente, sem políticas que a protejam, sem políticos que a ouçam, com protagonistas que só sabem gastar e que não sabem bem onde estamos e muito menos para onde queremos ir…

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