Um Bom Ano de 2012

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Ontem celebrámos o Natal, no calor dos afectos familiares, entre o cintilar das luzes e cânticos melodiosos, contagiados pelos sentimentos de paz, amor e alegria que envolvem a data; amanhã festejaremos o Ano Novo, no entusiasmo do encontro dos amigos, animados pela vibração forte da música e o choque do brilho das cores, inebriados pela esperança ou mera superstição de que o converteremos num Bom Ano.

Depois de amanhã, porém, começará o quotidiano do Ano de 2012 e com ele o agravamento das dificuldades: o aumento do preço de quase todos os bens de consumo essencial, desde os alimentos, à electricidade ou à saúde; a redução dos rendimentos do trabalho e o prolongamento do tempo de trabalho; o balanço negativo de empresas; o crescimento do desemprego; a diminuição dos apoios sociais, etc., etc. Sabemo-lo bem: vai ser um ano muito duro para todos, mas sobretudo para a classe média que, desprovida das ajudas sociais, de que os mais pobres beneficiam, ou de fontes de rendimento complementares ao trabalho, de que os mais ricos usufruem, sofrerá sempre mais fortemente o impacto negativo da maioria das medidas de austeridade que o Governo continuará obrigado a tomar.

E não vale a pena os partidos políticos da oposição forjarem ilusões de redução da austeridade das medidas que tomariam e do aumento da eficácia que obteriam, num discurso demagógico, inflamado, que apenas procura uma subida nas sondagens. E não vale a pena os sindicatos estimularem o descontentamento incentivando à greve como meio para um grupo socioprofissional satisfazer as suas reivindicações, numa estratégia populista que apenas poderá resultar na satisfação dos seus instigadores. A verdade é que o país não tem recursos para satisfazer mesmo as mais justas pretensões; vivemos de empréstimos que temos de pagar e, quando se puxa “a manta” para cobrir um lado, descobre-se outro…

Estarei eu a pregar à passiva submissão a tudo ao que decidirem por e para nós, ao empobrecimento generalizado e à degradação das condições de vida? Não, não me resigno ao alastrar da pobreza que vivemos; e sim, quero combater a situação de miséria em que nos encontramos. Mas estou convicta que neste Ano que agora se inicia, os interesses político-partidários como os interesses cooperativistas se devem subordinar aos interesses nacionais; e estou convicta que este combate, assumido de forma realista, pragmática e que se quer eficaz, não se faz através de protestos e de greves, mas por via do trabalho empenhado, aumentando a produtividade, e da boa gestão pessoal, familiar, institucional, social e estatal, rentabilizando os recursos disponíveis.

E, por isso, sem calar os votos de Bom Ano que hoje já apenas se titubeiam, quero, neste novo ano de 2012, que será de forte provação, desejar a todos a coragem necessária para converterem os problemas em desafios, as dificuldades em oportunidades, o desânimo em esperança, na certeza de que o bem de cada um depende do bem comum, e na convicção de que com determinação e trabalho cumpriremos, uma a uma, as metas que nos reconduzirão à estabilidade económica e ao desenvolvimento social.

                                                                          www.patraoneves.eu

 

 

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