Chegámos ao Ano Novo!
Um Ano Novo profundamente diferente dos últimos.
Um Ano Novo que traz más novas, consequências de uma série de maus actos governativos que nos conduziram a este beco, cuja saída ainda todos nós desconhecemos.
As duas últimas décadas foram férteis em episódios políticos que em nada abonaram à boa imagem e credibilidade dos políticos, e, consequentemente, de Portugal.
Em 1987 – 1991, Cavaco ganha duas maiorias absolutas, aumentando a função pública, dando o 14º mês aos pensionistas, criando a pensão mínima, numa altura em que Portugal crescia 5% ao ano.
Em 1993 inicia-se a primeira crise, com um deficit público de 8%, que a Europa disfarça e atenua.
Em 1998, dizemos adeus ao escudo, e o Euro traz uma ilusão de prosperidade, incentiva ao consumo, e faz parecer que somos todos Europeus em pé de igualdade… quando já estávamos doentes, e em bicos dos pés!
Em 2001, Guterres abandonou o governo, depois de ter introduzido na função pública “só” mais 100 mil funcionários, e de se ter iludido com a descida das taxas de juro, aumentando o estado social, incentivando o consumo, em vez de ter aproveitado a situação favorável para introduzir medidas estruturantes de crescimento sustentável.
Em 2004, Durão Barroso também deixa o governo, sem ter conseguido ultrapassar o “Pais de Tanga” que herdou, subindo o IVA de 17 para 19%, e recorrendo às receitas extraordinárias para encobrir o verdadeiro deficit.
Em 2005, Sócrates começa por subir o IVA de 19 para 21%, enquanto João Cravinho recorreu às parcerias público-privadas para a construção das 7 Scuts a custo zero, cujo encargo ascende a mil milhões de euros por ano, para o bolso dos contribuintes.
Se somarmos os mil milhões de euros do Euro 2004 (os gregos fizeram a festa e nós ficámos com a dívida e com os estádios de Aveiro e Leiria para… demolir), e ainda os mil milhões dos submarinos, então temos os ingredientes necessários a uma crise genuinamente portuguesa, em que sempre se privilegiou o imediato e os actos eleitorais, em prejuízo das politicas estruturais e sérias.
Em 2009, Sócrates esconde a real dimensão do deficit de 9.4%, e ganha novamente as eleições!… Bravo, é premiada a mentira, e o monstro do Estado Social continua a crescer desmesuradamente, como se fossemos (muito) ricos, com Magalhães, com RSI, com novas frotas, novos Institutos e muitas parcerias público – privadas, onde todos os boys e girls têm lugar assegurado.
Não satisfeitos, ainda há espaço no buraco para um BPN, para um TGV, para um novo aeroporto e para mais travessias sobre o Rio Tejo…, nem que para tal se suba agora o IVA de 21 para 23%.
Como? Será que ainda poderemos suportar mais?
Já não basta Portugal ter 17 Km de auto-estradas por 100 mil habitantes, enquanto a Europa tem apenas 13 Km?
Já não basta o endividamento das famílias ter duplicado nos últimos 5 anos, enquanto a poupança caiu a pique?
Já não basta ter-se ignorado o mercado do arrendamento, incentivando a habitação própria, com juros bonificados, com os impostos dos contribuintes? Porque hão-de os portugueses ter casas próprias luxuosas, enquanto os nórdicos arrendam apartamentos?
Já não basta o endividamento externo ter aumentado 15 (quinze) vezes, entre 2000 e 2010 – uma década perdida, e desperdiçada por quem nos desgovernou?
Já não basta cada português dever 18 (dezoito) mil euros?
Basta!
Basta de demagogia!
Em Portugal, não foi a crise que contagiou o Governo. Foi o Estado que arrastou os bancos, com os seus sistemas escamoteados de factoring, que, de banco em banco, servem de almofada, hipotecando as gerações vindouras.
Gasta-se hoje por conta…, por conta dos próximos 30 a 50 anos!
Escondeu-se e não se combateu a falta de competitividade da economia portuguesa.
Subiram-se os salários, mas a competitividade não.
O Salário Mínimo Nacional disparou, mas a produção não, fazendo despertar o gigante asiático (China e Índia), que fizeram deslocalizar a produção da Europa para Leste.
Destruíram-se os nossos sistemas produtivos, das pescas à agricultura, dos têxteis ao calçado, da metalomecânica à indústria, a troco de uma subsídio dependência doentia que contagiou e desenvolveu maus hábitos.
Se aliarmos a toda esta derrocada, a falta de formação e qualificação profissional, uma lei laboral obsoleta, e uma justiça lenta que premeia o crime, então poderemos dizer que vivemos num Estado permissivo, corrupto e cada vez mais desigual.
Por isto, é que me revolta quando vejo os actuais responsáveis desta situação, atravessarem a estrada, de sobretudo e chapéu na mão, e virem-nos desejar Boas Festas e Próspero Ano Novo.
Quanta Hipocrisia? Quanta irresponsabilidade? Quanto descaramento?
Tenham vergonha, e assumam os próprios erros e responsabilidades.
Para eles, o meu assobio, e que 2011 lhes traga a justa pena.
Para os trabalhadores, que terão de enfrentar com redobradas forças um 2011 difícil, desejo saúde, paz e harmonia familiar, única forma de conseguirem ultrapassar mais esta provação.
Bom Ano, com mais justiça social, melhor distribuição da riqueza, e o direito à justa retribuição pelo árduo trabalho que nos espera em 2011.
Contributos, para











