Ano Triângulo, um produto Gourmet! Ano Novo

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Cheguei a esta conclusão: o Triângulo é o produto Gourmet dos Açores!
Senão vejamos: para viajar para as ilhas Faial, Pico e São Jorge, via Azores Airlines (única companhia de aviação com voos diretos de Lisboa), o preço em muitas alturas do ano é trezentos euros, mais caro do que para viajar para São Miguel.
Também não temos direito a ter outras companhias a voar para aqui e a redução dos voos na época alta implica, como é lógico, um aumento das tarifas, logo, “o fruto proibido é o mais apetecido”, deve ser esse o conceito. Qualquer dia parecemos aqueles restaurantes em Nova Iorque onde se têm de reservar mesa com três anos de antecedência.
Somos um Triângulo, como já referi no anterior artigo, com um potencial enorme e se calhar tenho sido injusto nas críticas que tenho feito à política aérea que tem sido praticada para com o nosso destino.
Os nossos agentes turísticos deviam explorar por esta vertente, “O Triângulo Gourmet”, e digo desde jáque não vale a pena registar a patente do nome, como aconteceu no “Azores Trail Run”, não valeu de nada registar, pois outros pegaram logo no trabalho feito para se projetar.
O Triângulo é reconhecido internacionalmente: o Parque Natural do Faial, conquistou dois prémios Europeus, o EDEN – Destinos Europeus de Excelência, e no ano passado, recebeu mais uma distinção, no âmbito dos EDEN Innovation Awards 2016, com o prémio “Experiências na Natureza”, já a Vinha da ilha do Pico é Património da Humanidade da Unesco e as Fajãs de São Jorge são Reserva da Biosfera –Unesco.
Como dizia o já falecido “Tio Pedro Seco” da ilha do Corvo a uma jornalista, não digam muito bem da gente para não virem muitos turistas e acabar o nosso sossego, mas também não precisa dizer muito mal.
Ora, o que se passa atualmente com a política da Azores Airlines para o Triângulo é mais ou menos o que o “Tio Pedro Seco” defendia… não aumentam o número de voos, no caso do Faial, em julho e agosto até diminuem em cerca de 26 em relação ao que a TAP oferecia, o que equivale a mais ou menos 4000 lugares, para não termos muitos turistas e desta forma não perdermos a nossa tranquilidade.
O que se quer não é a redução de número de voos, especialmente nestes dois meses, o que se quer é um aumento de lugares, mas também de número de ligações, que só assim disponibiliza a quem nos quer visitar a possibilidade de escolher as melhores ligações para aqui chegar, sem ter de pernoitar em Lisboa.
O que se quer são, no mínimo, catorze ligações semanais nos meses de julho e agosto para o Faial.
O que se quer é que o nosso Aeroporto tenha as melhores condições de segurança para receber as atuais Aeronaves A320 sem penalizações e os já contratualizados A321 NEO.
E não é isso que vejo. Vejo uma política apostada em dividir, fazer de conta e fomentar o que não nos interessa, Cabo Verde, Barcelona, entre outras rotas… agora a Azores Airlines paga a noite no Hotel em Ponta Delgada e na Terceira aquando da passagem pelos Açores. É isto que dá lucro? E promover a rota da Horta, não interessa? É para fechar? É a morte lenta da nossa rota? Setenta e cinco por cento (75%) de taxa de ocupação da nossa rota não merecia melhor atenção e consideração por parte de quem nos governa e de quem administra a empresa?
Apesar de tudo isto o ano de 2017 começou com o pé direito, no dia 1 de janeiro, o Comandante Neves, andou às voltas cerca de 45 minutos por cima de São Jorge, aguardando melhoria do tempo no Aeroporto da Horta e depois aterrou, parabéns para ele e restante tripulação, esperamos todos que seja um bom pronúncio de menos cancelamentos, logo mais rentabilidade na nossa rota.
E as boas notícias continuam, já foram publicados internacionalmente os novos procedimentos de Aproximação por Instrumentos RNP-AR para o Aeroporto da Horta (Projeto RISE). A partir do início do próximo mês de fevereiro podem começar os voos de teste. A altitude mínima para a Pista 28 reduz dos aproximadamente 900 pés para os 302 pés, enquanto que para a Pista 10 são de 501 pés.
Estejamos, pois, unidos em defesa dos interesses destas três ilhas, o tal produto que só pode ser Gourmet pelas razões aqui evocadas. O potencial existe e está aí, saibamos, pois, todos “remar” para o mesmo lado.
Um bom ano de 2017!

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