ESCREVINHANDO…

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ESCREVINHANDO…

Para si, leitor, que eu considero um amigo, um cúmplice, que me tem acompanhado e acarinhado, encorajado com elogios, com pequenas grandes delicadezas, para si que imensas vezes tem sido capaz de fazer fruir coragem e força, iluminando os meus dias negros com o sol das suas palavras carinhosas, aqui estou eu a desejar-lhe um BOM ANO, tão bom quanto merece.
Há quantas luas não saíu a crónica! Certo, fiz uma pausa durante a época natalícia. Para arrumar sentimentos. E ressentimentos. Para reflectir se o que escrevo não será mais que o resultado dum prazer meu, mas sim da substituição desse prazer pela certeza que possa sentir tristeza pelo que escrevo ou deixo de escrever. Enfim! Não é fácil, uma vez que as minhas gavetinhas da memória estão atulhadas e quando tento abrir alguma, lá vem todas bagunçadas. É um caos!
Bem, assim sendo, pensando em si, leitor, volto a escrevinhar, não sem antes, uma receita.
Em primeiro lugar há que lavar bem as mãos com sabonete de memória, talvez um Heno de Pravia. Seguidamente fico apta a colocar alecrim no miolo dos verbos, enquanto deixo pingar pedaços de imaginação que estarão presentes na hora de adjectivar.
Tudo isto é complicado. Nem sempre sai o que gostaríamos. Quantas vezes, derretemos os miolos debruçados sobre uma crónica que começou com mel de incenso e, de repente ela exige umas gotas de vinagre balsâmico por sentir a necessidade de amargar a doçura do prato.
O cerebelo deve ficar em lume brando para cozinhar as ideias, o que às vezes demora p´ra caramba. Enquanto elas não surgem fico lavando os legumes que ficarão esperando a hora de adjectivar. As ideias então chegando serão fritas em lume brando, em azeite de idiossincrasias picantes junto com uma flor de sal à maneira.
Haverá sempre à mão uma caixa de bravo para manter o crânio bem areado, enquanto joga fora as gotas de cinismo que me foram enviadas. Misturo o alho picado com duas colheres de mostarda e salpico com uma frase maluca para atordoar quem me lê. Dispenso ponto e vírgula e uso pimenta da Jamaica para dar o toque final.
Coloco no forno em temperatura alta coberto com uma folha rasca de bes e salpico de quando em vez umas gotas de palavrões que o vento trouxe.
Como sobremesa há uma salada feita com um punhado de emoções, salpicada com uma mão cheia de saúde e decorada um tique nada com uma lágrima gorda e uma porção de alegria. Servida em mão aberta, em cama de compreensão e amor.
É tudo oferecido a um montão de gente que ignora, porque coloca entre pontos de interrogação, exclamação, reticências, gritos lancinantes de milhares de inocentes morrendo às mãos de bestas assassinas e outros que padecem vivendo sem Natal, sem bolo, sem amor!

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