Apelo à consciência!

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Há frases proferidas por diversas personalidades, desde filósofos, pensadores, economistas, políticos e até por anónimos que definem a personalidade dos seus autores.

Recentemente, quando questionado sobre a urgência de eleições no seu partido, o líder nacional do partido socialista respondeu “qual é a pressa?”, interrogação que se tornou viral e que o tem perseguido, pela interpretação da própria questão, como “qual é a pressa” de ir para o governo, se os atuais governantes estão a ter o árduo trabalho de enfrentar as grandes dificuldades herdadas dos próprios socialistas, e não havendo pressa, quando o partido socialista chegar ao governo poder aliviar a austeridade e ter o argumento que a direita é austera e a esquerda socialmente esbanjadora (até novo ciclo).

Na Região, atrevo-me a eleger uma frase do presidente do executivo regional que o define na perfeição, quando disse que “fazia um apelo à consciência”. Esta frase é dita no contexto da atual situação da greve dos trabalhadores da transportadora aérea regional em alturas chave para os açorianos, a saída da época baixa, com a realização de eventos desportivos de âmbito internacional e por altura da maior festa religiosa dos Açores. 

Estima-se que nestes poucos dias entrem na Região mais de 10 milhões de euros, provenientes de sectores estratégicos e fundamentais para os Açores, desde os transportes, o turismo, a animação turística, o turismo de saudade, o turismo religioso e a promoção internacional da marca Açores em vários meios de comunicação social de vasta abrangência. 

Isto é, numa região pobre, com uma economia débil, com a crise regional, nacional e internacional, com empresários a necessitar que estes eventos tenham sucesso, para conseguir honrar os seus compromissos com a banca, com os seus fornecedores, com o Estado e principalmente com os seus funcionários, aqueles são gravemente ameaçados com a greve.

E perante este cenário, o presidente do executivo, jurista de formação, vendo-se muito condicionado, então profere a que considero a frase que pode caraterizar o seu estilo de governação, “apela à consciência ” dos trabalhadores da companhia aérea açoriana.

Qual Pilatos, que perante a pressão da confiança depositada pelos empresários e da economia que recentemente defendeu em campanha eleitoral, mas que de igual modo defendeu a classe e os direitos dos trabalhadores, lava as mãos e envia uma carta à república, para a comprometer, e anuncia o recrutamento dos serviços mínimos obrigatórios.

Estas frases, por vezes, são madrastas e viram-se contra quem as proferiu, colocando o seu autor, não menos vezes, em situações contrárias à coerência. 

Ao nível nacional, a frase “porquê a pressa?” foi logo atirada ao seu autor, quando veio para os órgãos de comunicação social exigir eleições antecipadas, confundindo o seu estilo.

Perante isto, apetece lançar o mesmo desafio ao presidente do Governo Regional e fazer-lhe um “apelo à consciência”.

Sim, os Faialenses estão a viver um pesadelo, não têm governantes, veem decretados planos de desenvolvimento com centralidades que fazem a ilha recuar décadas, veem a sua pista de aeronaves com penalizações, têm um excelente porto com uma marina e um porto subdimensionados, veem fechar fábricas, veem fechar a estação radionaval, veem investimentos desiguais no termalismo, no golfe, não veem qualquer parque tecnológico, veem empresas comerciais emblemáticas do seu comércio a fecharem, veem, sobretudo, com estupefação, como não se desenvolvem as potencialidades da ilha.

Será, assim, justo usar as mesmas palavras do presidente e apelar à consciência de que somos açorianos, que somos capazes de contribuir, somos empreendedores se tivermos as mesmas oportunidades, e que é possível, mesmo numa situação difícil, crescer e criar emprego.

Mais, apelo à consciência do presidente para que não só o faça agora, que se aproximam as eleições autárquicas, com promessas de cartas, habitações, vias, em que o Município é da sua cor política, mas também com confiança na sustentabilidade e na criação de emprego para as nossas gentes.

Já agora…apelo à consciência dos faialenses, para não irem em mais cantigas…

 

 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     [email protected]

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