As formas geométricas do Porto da Horta

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O Triângulo passou à história. Não, não é esse que o leitor está a pensar. O Triângulo a que nos referimos é aquele que constava do projeto de execução inicial de requalificação do Porto da Horta e que os projetistas viram, hoje, que não é a melhor solução para o nosso Porto. Para eles, esta forma geométrica que, na matemática, muitas dores de cabeça dá aos estudantes, já não é aquela que se adequaao Porto da Horta.
O Triângulo desapareceu e em seu lugar surgiu um “Finger”, uma outra forma, de betão, mais comprida e retangular. Foi com este à vontade, de uma simples substituição de formas geométricas, que a Porto dos Açores, os projectistas por esta contratados e a Secretária Regional das Obras Públicas apresentaram nos Paços do Concelho ao Presidente da Câmara e à Comissão Municipal dos Assuntos do Mar, as alterações ao projeto de requalificação do Porto da Horta.
Aqui chegados, há uma panóplia de questões que importa previamente ser respondidas e que se prendem com o primeiro procedimento. Na verdade, se depois de tanta polémica e contestação com o projeto inicial, com quase todas as forças vivas da ilha a manifestarem-se contra a obra como ela estava projetada, e mesmo assim a Portos dos Açores lançou o concurso, porquê proceder agora a alterações no projeto? Será que isso significa que o projeto não era tão bom como dizia aquela empresa pública?
Mais, será pertinente ainda perguntar, e se o concurso não tivesse ficado deserto? E se tivesse havido uma empresa a apresentar proposta, quem iria assumir as responsabilidades pelo prejuízo incalculável que agora poderia estar a ocorrer no nosso Porto? Podem os responsáveis pela empresa Portos dos Açores passar entre os pingos da chuva como se nada fosse com eles? Pode a culpa morrer solteira?
Estas perguntas, que o cidadão faialense poderá colocar com toda a legitimidade, merecem ser respondidas, para depois se passar à fase de perceber se estas alterações protegem ou não os interesses do Faial, do seu Porto e da sua Baía, considerada como uma das mais belas baías do mundo.
A este respeito, a Secretária Regional já assegurou que a obra irá melhorar a operacionalidade do Porto, mas, como não há soluções perfeitas, em contraponto, originará um aumentoda agitação marítima no interior da Marina Norte.
Pois, ainda estas alterações mal viram a luz do dia e já levantam dúvidas. A começar pelo Presidente do Municipio que, muito bem, e fazendo sua a voz dos faialenses, concordou com a obra desde que a mesma não ponha em causa a marina, o “exlibris” da cidade da Horta.
Se as obras puserem em causa a entrada, saída e a permanência dos iates na marina, se a operacionalidade prática da marina for questionada, então o prejuízo que daí advirá para a ilha será substancialmente superior ao custo da obra.Por isso, há que ter cautela no lançamento desta empreitada. Não haja pressas para que não haja dúvidas nesse momento. Sabemos que o montante associado a este investimento – 14 milhões de euros – é relevante para a economia da ilha, mas não se queira subjugar a essa obra o inegável comprometimento do futuro da nossa marina.
Ouça-se o que os pescadores, as empresas marítimo-turísticas, o Clube Naval da Horta e a própria Câmara Municipal têm a dizer em relação a este projeto e, só depois de reunidos todos estes contributos, se elabore uma solução final, que vá de encontro às expetativas de quem aqui vive.
Se assim não acontecer, e se considere este projeto como estanque, imutável, então não só desaparecerá o triângulo (do projeto), como a nossa marina deixará de ser uma das mais belas para sermais uma entre muitas que existem por esse mundo fora.
Por último, uma palavra de destaque para a criação da Comissão Instaladora do Observatório do Atlântico, centro esse financiado por fundos comunitários, que trará para a ilha do Faial até ao ano de 2021 um investimento na ordem dos 15 milhões de euros. Sem dúvida, uma excelente notícia para quem se dedica à investigação marinha e um local que poderá absorver muitos dos recursos humanos qualificados queserão dispensados do IMAR. 

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