As ilhas afortunadas

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O mês de agosto é caraterizado por um período de interregno laboral para grande parte dos portugueses, que aproveitam as férias escolares dos filhos e as elevadas temperaturas oferecidas nesta época do ano para rumarem aos mais diversos destinos.
Segundo o Jornal Expresso, os portugueses habituaram-se a viajar e os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), comprovam-no. Os portugueses optam por viajar cada vez mais para outros países, nomeadamente, dentro da Europa, com Espanha, Reino Unido e França a liderar os destinos mais procurados, no entanto, a grande maioria continua a escolher destinos internos, mais concretamente, o Algarve, a Madeira e Porto Santo e claro, os Açores.
Neste sentido, também segui a tendência e optei por parte da Macaronésia, segundo parece também conhecidas como as “Ilhas Afortunadas” ou abençoadas.
Partindo do Faial rumei com a minha família à ilha da Madeira onde desfrutei alguns dias e segui depois viagem para as Canárias para concluir as férias, mais propriamente na Gran Canária.
Três arquipélagos, três realidades distintas.
Claro que as condições geográficas, assim o determinam, seja pela sua diferença latitudinal, seja pelas condições climatéricas a essa associada, ou a sua formação geológica, entre muitos outros fatores. Todavia, em comum têm o facto de serem regiões ultraperiféricas e do turismo representar uma parte significativa da sua economia, mas a escalas completamente diferentes.
No que respeita a belezas naturais, os Açores, são as minhas ilhas preferidas, no entanto, não deixo de notar que o turismo não sobrevive apenas da natureza. Em relação aos exemplos referidos, somos um destino diferente e ainda bem que o somos, contudo, ainda temos muitos passos a dar. É fundamental que aprendamos com os bons e maus exemplos de outros destinos, seguindo os primeiros e não praticando os segundos, e aqui detenho-me em dois ou três aspetos que são conhecidos, mas que penso não ser demais realçar.
Em primeiro lugar a valorização dos produtos regionais, onde a ilha da Madeira é um excelente exemplo dessa valorização. Com uma gastronomia rica e variada, a oferta é generosa e os preços bastante acessíveis ao turista que ali se desloca. À mesa, em qualquer restaurante, as bebidas são regionais: Coral, Brisa e Atlântida surgem sempre que uma cerveja, refrigerante ou água são pedidos e no final da refeição em muitos locais é comum se oferecer um licor de banana ou de maracujá também produzidos na ilha. Este é um pequeno exemplo que faz toda a diferença, principalmente no desenvolvimento da economia desta região autónoma. Primeiro os seus produtos, depois os restantes. E podia aqui referir muitos outros exemplos, como o bolo do caco, obrigatório como entrada ou refeição em cada restaurante. Para além dos comes e bebes, a sua identidade é marcada de diferentes formas, no padrão dos tecidos utilizados, nos vimes ou no bailinho da Madeira, com exibições em hotéis e restaurantes.
Em segundo lugar o atendimento. A simpatia e competência são caras aos madeirenses, mostrando a quem os visita que para se investir no turismo é necessário apostar primeiramente na formação dos que lidam diretamente com o turista. Boa disposição e eficiência são características atrativas que fazem os clientes querer regressar e passar a palavra, naquela que ainda hoje continua a ser a melhor forma de publicitar um local, ou seja, boca a boca.
Ainda de referir, os acessos às zonas balneares, cuidados, bem ornamentados. Apesar da natureza não ter sido favorável na formação de praias, os cais, portinhos e piscinas oferecem locais aprazíveis, assim como interessantes zonas envolventes com jardins e praças em calçada, mantendo a tradição e valorizando os espaços.
Por último, as infraestruturas. João Jardim endividou a ilha, mas a obra existe e é percetível a todos. Estradas com túneis e mais túneis a rasgar montanhas facilitam o acesso e aproximam localidades, para além da ampliação da pista do aeroporto, uma das mais complexas obras de engenharia realizadas em Portugal, mas que está lá para provar que não há impossíveis.
E nós por cá… somos efetivamente ilhas afortunadas em belezas naturais, mas não basta viver desta fortuna. Dos exemplos dados, parece-me que só não precisamos de túneis.

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